Estudo: mais de 35 milhões de brasileiros contribuem com causas sociais
O Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social (IDIS) divulga no Brasil o World Giving Index 2012 – A global view of giving trends, estudo concebido pela sua parceira britânica Charities Aid Foundation (CAF).
Os dados foram coletados pelo Gallup World Pool, que ouviu mais de 155 mil pessoas em 146 países, a partir de uma pergunta única: “Quais destas ações você realizou no último mês?”, e que propôs três alternativas de resposta: a) contribuição financeira para instituições filantrópicas; b) doou tempo como voluntário para uma organização; c) ajudou um desconhecido (ou alguém que você não conhecia e que precisava de ajuda).
Segundo a pesquisa, a Austrália é o país mais generoso, enquanto Grécia e Montenegro ocupam a última posição no Index. O Brasil, embora ocupe apenas a 83ª posição no ranking, figura entre os dez países com o maior número de voluntários (18 milhões) e de pessoas que ajudaram um desconhecido no último mês (65 milhões). Além disso, foi constatado que 35 milhões de brasileiros contribuem financeiramente com causas sociais.
Outro dado aponta que quase metade dos entrevistados (44%), considerando-se todos os países participantes, ajudou um desconhecido.
De forma geral, os resultados mostraram que o mundo se tornou um lugar menos generoso em 2011 quando comparado com anos anteriores e revelam uma tendência: o padrão de doações em todo o mundo parece agora refletir parâmetros da economia global.
O relatório concluiu que a proporção média de pessoas em todos os 146 países que doaram dinheiro para instituições de caridade caiu de 29,8% em 2007, para 28% em 2011, com queda acentuada em 2009, um ano após a crise financeira de 2008, recuperando-se em 2010 e caindo drasticamente em 2011.
John Low, diretor-executivo da CAF, comentou o Index: “O relatório mostra que a doação é suscetível à fragilidade da situação econômica mundial. E indica uma notável queda no volume de doações, apesar do crescimento do PIB global. Em muitas partes do mundo, a renda familiar está sendo reduzida, os preços estão subindo e a insegurança no trabalho só aumenta. Com isso, simplesmente muitas pessoas passam a ter menos tempo e menos dinheiro para doar”, explica Low.
Para Marcos Kisil, diretor-presidente do IDIS, os resultados da pesquisa chamam a atenção para a importância de políticas de governo incentivando as doações: “São dados preciosos que mostram como em países que mesmo sofrendo com as crises econômicas, seus governos continuaram apoiando e incentivando os doadores. E, como países como o Brasil, que apesar de um certo conforto na área econômica, não conseguem uma classificação melhor no ranking devido a pouco incentivo que doadores privados recebem do governo”, comenta Kisil.
