RS: perícia aponta que portão onde argentina morreu estava energizado
A origem da energia que matou ontem a argentina Norma Adriana Gonzales, 47 anos, durante a forte chuva que atingiu Porto Alegre pode ser um portão energizado do condomínio onde estava vivendo. A constatação foi feita nesta terça-feira pela perícia do Instituto Geral de Perícias (IGP) no local onde ocorreu o incidente com base em depoimentos de técnicos da Companhia Estadual de Energia Elétrica (CEEE).
De acordo com o delegado Carlos Miguel Locks Xavier, que investiga a morte, como os peritos do IGP não encontraram fuga de energia na parte interna do prédio, uma equipe da CEEE foi chamada para verificar se o problema estava na área externa. "Ao chegar ao local, um dos técnicos disse que um colega que havia atendido a ocorrência fez a medição logo após o acidente e verificou a origem do problema. Ele foi chamado e relatou que, pelas medições, constatou que havia energia na grade de ferro e no chão. Quando ele tirou a tampa do motor do portão elétrico, acabou a energização", explicou Xavier.
O laudo do IGP deverá ser concluído em até um mês. Agora, o delegado irá começar a ouvir os depoimentos de pessoas que presenciaram o acidente ou tentaram socorrer a vítima, além do síndico do prédio e de quem é responsável pela manutenção do portão elétrico. O delegado ressaltou que não é possível afirmar que se trata de um homicídio culposo (quando não há intenção de matar) ou um acidente. "Vamos aguardar a conclusão do laudo pericial e dos depoimentos para sabermos se ocorreu alguma falha ou se houve negligência na manutenção ou na montagem do equipamento", afirmou.
A morte
Norma chegou de táxi ao prédio na companhia da amiga Anelise Figueiredo, em cujo apartamento estava hospedada havia cinco meses. Segundo relatos da testemunha, as duas desceram do outro lado da rua, já que o motorista preferiu não colocar o carro dentro d'água. Ao chegar à calçada, Norma tomou o choque e caiu próxima a um dos portões eletrônicos do condomínio.
A avenida Andaraí, no bairro Passo d'Areia, local da morte da argentina, ficou bastante alagada com as chuvas deontem. As bocas de lobo ficaram tomadas de galhos e lixo. Segundo o Consulado Geral da Argentina em Porto Alegre, Norma estava prestes a voltar para o seu país, já que o visto de turista expirava em um mês. O corpo da argentina passou pela necropsia, mas nenhum familiar compareceu ainda para a retirada do corpo.

