O ministro aposentado do Superior Tribunal de Justiça Milton Luiz Pereira morreu na madrugada desta quinta-feira, aos 79 anos, em Curitiba, coincidentemente, sete horas depois de sua mulher, Rizoleta Mary Pereira. Ambos sofriam de câncer. Ele no pulmão, ela no cérebro.
Paulista de Itatinga, Milton Luiz Pereira era bacharel em Direito pela Universidade Federal do Paraná e, antes de se tornar juiz, foi prefeito de Campo Mourão (PR). Como juiz federal chegou ao cume da carreira em 1989, nomeado para integrar o Tribunal Regional Federal da 3ª Região. Em 1992, foi nomeado ministro do STJ, onde atuou até 2002, quando se aposentou por limite de idade.
Nota do presidente do STJ
O presidente do STJ, ministro Ari Pargendler, divulgou a seguinte nota:
“O falecimento do Ministro Milton Luiz Pereira e de sua esposa, Dona Mary Pereira, constitui uma perda para o mundo. Formavam um casal harmonioso nutrido pelo amor que sentiam pelos filhos.
Conheci o Ministro Milton Luiz Pereira quando ambos éramos juízes federais no 1º grau de jurisdição. Desde aquela época até quando nos reencontramos no Superior Tribunal de Justiça, vi sempre nele uma pessoa exemplar e um juiz admirável.
Tinha um grande zelo pelo interesse público, que demonstrou quando foi Prefeito do Município de Campo Mourão, PR. Ao deixar o cargo para assumir a magistratura federal, o povo daquela cidade, em reconhecimento ao seu trabalho, deu-lhe como presente um carro (Fusca), troféu que conservou.
Sua vocação, no entanto, se revelou como juiz federal, uma função que exige a ponderação do interesse público e do interesse particular. Dedicado ao extremo, foi um ícone para os seus colegas e um alento para as partes.
Tão logo criado o Tribunal Regional Federal da 3ª Região, foi nomeado como um de seus membros, e dele foi o primeiro presidente, com uma atuação que é lembrada até hoje pela seriedade e compostura. Daí até o Superior Tribunal de Justiça foi um passo. Logo foi eleito Coordenador do Conselho da Justiça Federal, onde mais uma vez deu mostras de seu talento como administrador.
É como juiz, porém, que o recordo, um juiz à moda antiga, que cumpria seu ofício pessoalmente, de modo artesanal, sem deixar de ser pontual. Tudo isso se deve em grande parte a Dona Mary, que formava com o Ministro Milton Luiz Pereira uma união indissolúvel, que a morte parece não ter desfeito, à vista de que partiram juntos.
O Superior Tribunal de Justiça cultuará a memória de ambos como personalidades marcantes de sua história”.