Jornal do Brasil

Segunda-feira, 20 de Agosto de 2018 Fundado em 1891

País

Filho de Bolsonaro sobre "chupa, viadada": Não fui ofensivo

Jornal do Brasil Ana Cláudia Barros

O vereador Carlos Bolsonaro (PP-RJ) não considerou ofensivas as mensagens postadas na sua página do Twitter em comemoração ao arquivamento das representações contra o pai, o deputado federal Jair Bolsonaro (PP-RJ), por quebra de decoro parlamentar. Ele explicou a Terra Magazine que o "CHuUuuupa Viadada" foi apenas uma forma de "demonstrar sua satisfação diante da derrota do opositor".

>> Filho de Bolsonaro ataca homossexuais pelo Twitter

"A maldade está na cabeça de quem interpreta. Usei a palavra ("chupa") para extravasar. E a oposição ficou chupando o dedo. Até porque, se fosse num outro sentido, eles (gays) não iriam ficar chateados. Iriam ficar felizes, porque é disso que gostam", ironiza, bem ao estilo do pai.

Valendo-se de um raciocínio peculiar, Bolsonaro - o filho - pleiteia o "direito" de chamar homossexuais de "viado".

"Ontem (quarta-feira, 29) aconteceu uma premiação, uma tal de "Rio sem preconceito", em que pessoas e personalidades iam ser premiadas por sua luta contra a homofobia. O ex-BBB Daniel falou: "Sou bicha, viado, gay - o que vocês quiserem - assumido". Quer dizer, quando um gay se auto intitula viado é bacana, mas quando eu chamo não é? O que eles querem fazer é uma democracia de...uma ditadura. Eles querem ser chamados de gay e de viado quando quiserem. Mas eu não posso chamar. Isso é injusto. Não ofendi ninguém, mas as pessoas têm o livre arbítrio para interpretar aquela colocação da maneira que quiserem".

Questionado se, na condição de membro da Comissão de Direitos Humanos da Câmara Municipal do Rio de Janeiro deveria adotar discurso mais cuidadoso e tolerante, rebateu:

"Para ser membro da Comissão de Direitos Humanos, você tem que defender o homossexualismo (sic)? Você tem que defender bandido? Você tem que defender tudo que é errado? Não. Nós temos um outro tipo de pensamento".

O vereador, que leva na parte interna do braço direito uma tatuagem com o rosto do pai, afirma ser vítima de perseguição e diz não se incomodar quando com ilações sobre sua sexualidade.

"Desde novembro do ano passado, quando meu pai descobriu a intenção dos "kits gays" (kit anti-homofobia do Ministério da Educação) e começou a divulgar isso pelos meios de comunicação, passamos a sofrer perseguição. Eles chamam a gente de um monte de coisa o tempo inteiro. São xingamentos, são ameaças. Na rua, no Twitter. Em tudo que é lugar. No prêmio "Rio sem homofobia" eles reuniram atores e atrizes do mais alto gabarito do Rio de Janeiro. Fiquei sabendo que fizeram uma paródia insinuando que nós somos homossexuais. Não vejo problema nenhum. Faz parte do jogo democrático. Quando um guerreiro vai lá para os Estados Unidos e faz uma obra de arte - que ele diz que obra de arte - com punks um transando com o outro e nomina um deles de Bolsonaro, é bacana? Quer dizer, a pressão que a gente vem sofrendo é enorme. Nada fiz além de extravasar".

Apesar da ferocidade das palavras, Carlos Bolsonaro afirmou "não ter problemas com gays" e disse que entre seus empregados há um homossexual.

"Não vou entrar em detalhes, porque eu nunca conversei com ele se eu poderia expor. Ninguém tem nada a ver com que o outro faz entre quatro paredes. Mas por que transformar políticas sociais para beneficar essas pessoas porque elas têm opção diferente da minha? Isso não existe", indaga, admitindo que parte do tom agressivo é estratégia para atrair os olhares da imprensa".

"É isso também. Nós vivemos dos fatos. O que eu quero neste momento é externar o que a maioria da população está sentindo e a imprensa não tem dado espaço. Estamos sendo sufocados por todos os lados pela ditadura do homossexualismo (sic). Em novelas, em jornais, em programas de televisão. Ninguém aguenta mais isso".

Portal Terra


Tags: bolsonaro, chupa, filho, viadada

Compartilhe: