Delfim Netto desmente Collor sobre confisco e diz: não fui consultado
Da redação, Jornal do Brasil
BRASÍLIA - Em uma entrevista publicada domingo em jornal de circulação nacional, o senador Fernando Collor (PTB-AL), ex-presidente da República, que sofreu impeachment no início dos anos 90, rememorou a estreia de seu plano de abertura do mercado, a implantação de programas e lembrou que o confisco da poupança, medida polêmica adotada logo no início de seu governo, teria tido o aval do economista Delfim Netto. Segundo Collor, o Delfim teria dito: Genial, nem eu com o AI-5 na mão conseguiria fazer algo parecido .
Mas em outra entrevista, no mesmo jornal, Delfim Netto acabou desmentindo o ex-presidente. O economista disse não fui ouvido em nenhum momento . Lembrou que Collor estava desesperado para conter a inflação e havia consultado apenas os banqueiros Daniel Dantas, Mário Henrique Simonsen e André Lara Resende.
Em outro trecho, Delfim lembrou que, ao saber do plano de confisco, sempre acreditou que seria um fracasso: Aquilo foi uma experiência de laboratório e os ratinhos eram os brasileiros .
Ainda segundo o economista, o plano Collor tinha uma lógica interna, mas era de uma enorme perversidade com a população.
Feitos
Em sua entrevista, Fernando Collor lembrou que, a seu ver, a estabilidade econômica no país começou a partir de suas medidas e que elas abriram caminho para o Plano Real.
Ex-adversário ferrenho de Luiz Inácio Lula da Silva na campanha de 1989, Collor hoje é aliado, e todo elogios ao atual presidente: Temos hoje um presidente que é um operário , que tem segundo grau incompleto, e que está dando aula de como conduzir a economia .
