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PMDB pronto para vetar polêmicas no programa de Dilma

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Luciana Abade , Jornal do Brasil

BRASÍIA - Na próxima quinta-feira, os grandes nomes do PMDB vão se reunir para formular as propostas que a legenda vai sugerir para o programa de governo da pré-candidata à Presidência da Republica, a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff (PT). E interlocutores da legenda alertam: as sugestões mais polêmicas já apresentadas pelos aliados durante o IV Congresso Nacional do PT, como o controle social da mídia e as questões ligadas à desapropriação de terras o PT pretende acelerar a reforma agrária caso continue no governo não serão absorvidas pelo PMDB.

Em recente visita ao Senado, o ministro da Defesa, Nelson Jobim, já deu sinal do que pode ser a sugestão do PMDB para resolver, por exemplo, a polêmica defesa do PT ao Programa Nacional de Direitos Humanos. Jobim disse que aceita a instalação daComissão da Verdade criada para investigar os crimes de tortura ocorridos na Didatura desde que ela seja bilateral. Ou seja, deve-se fazer um levantamento de todos os movimentos ocorridos no Brasil de 1945 até 1984. E a pesquisa deve ser entre os agentes públicos e privados.

Já a proposta do PT para que Dilma tenha o compromisso de defender a redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais, que inicialmente dividia o próprio PT, uma vez que a ala ligada ao sindicalismo não abria mão dessa luta enquanto outros setores do partido estavam preocupados com o impacto que a medida poderia trazer para o setor empresarial, também divide o PMDB.

O deputado federal Eduardo Cunha (PMDB-RJ) acredita que a proposta do presidente da Câmara e provável vice de Dilma, deputado Michel Temer (SP), de reduzir a jornada de trabalho para 42 horas semanais, pode ser o melhor caminho para resolver o imbróglio.

Líder do PMDB na Câmara, o deputado Henrique Eduardo Alves (RN) disfarça e garante que as propostas já apresentadas pelo PT não são uma preocupação para os peemedebistas:

Esta será uma campanha de coalizão. Vamos sistematizar as nossa propostas e tentar finalizá-las no máximo em 20 dias para apresentá-la no congresso nacional do PMDB no início de maio.

Tanto Cunha como Alves destacaram que o mais importante é que o programa de governo tenha a marca do PMDB. A questão, no entanto, já mobiliza o partido. O ex-ministro da Secretaria de Assuntos Estratégicos, Mangabeira Unger, chegou sábado ao Brasil para se encontrar com os correligionários antes da reunião. O ministro da Defesa, Nelson Jobim, que está em viagem oficial à Índia, também chegará a tempo de participar da reunião, que também tem as presenças confirmadas do ex-ministro da Fazenda, Delfim Neto, e do presidente do Banco Central, Henrique Meireles.

Parceiros

O PCdoB também se reunirá nesta semana para discutir as propostas que enviará ao programa de governo do PT. A ideia de aceitar a redução da jornada de trabalho para 42 horas semanais é rechaçada pelo partido, que tem no seu quadro o senador Inácio Arruda (CE), autor da proposta de 40 horas.

Segundo o presidente da legenda, Renato Rabelo, amigos do partido como o economista Luiz Gonzaga Beluzzo e outros profissionais da Universidade de Campinas (Unicamp) estão ajudando o PCdoB na elaboração das propostas.

O PDT, que também faz parte da base de apoio do governo PT, disse estar unificado em torno da jornada de trabalho de 40 horas semanais. De acordo com o presidente da legenda, deputado federal Vieira da Cunha (RS), as propostas do PDT se concentrarão nas questões de trabalho e educação.