DF: polícia fará varredura na Câmara atrás de escutas
Jornal do Brasil
BRASÍLIA - A Câmara Legislativa do Distrito Federal vai passar nos próximos dias por uma varredura da Polícia Civil. A medida atende a pedidos de parlamentares da oposição ao governador José Roberto Arruda e tem como objetivo identificar possíveis equipamentos de escuta que tenham sido instalados de maneira clandestina nos gabinetes.
A oposição também protocolou na Comissão Parlamentar de Inquérito criada para investigar o esquema de corrupção no governo local requerimentos convocando para depoimento José Henrique Cordeiro e Luis Ferreira. Eles são policiais de Goiás e foram presos na semana passada por suspeita de grampearem parlamentares que fazem oposição ao governador. A suspeita é que eles agiram a mando de pessoas ligadas a Arruda. Também há pedidos para que seja ouvidos Francisco Monteiro, funcionário do gabinete do deputado distrital Benedito Domingos (PP), que teria auxiliado os policiais no grampo.
A oposição também quer levar à Casa os principais personagens das novas denúncias de tentativa de suborno de testemunhas do esquema. Os requerimentos, que ainda precisam ser aprovados pela comissão, pedem esclarecimentos do jornalista Edson dos Santos, o Sombra, do conselheiro do Metrô, Antonio Bento da Silva, do suplente Geraldo Naves (DEM), Weligton Moraes, ex-secretário de Comunicação, e Rodrigo Arantes, sobrinho do governador.
Mandato
Além de enfrentar a pressão da oposição na Câmara Legislativa, Arruda e o deputado distrital Leonardo Prudente (sem partido), que ficou conhecido como deputado da meia, correm o risco de perder o mandato por infidelidade partidária. O procurador Regional Eleitoral do Distrito Federal, Renato Brill de Góes, ingressou no Tribunal Regional Eleitoral do DF com duas ações de perda de mandato por considerar que os argumentos apresentados por Arruda e Prudente para deixarem o DEM não têm respaldo legal.
Ameaçados de expulsão pelo partido, Arruda e Prudente saíram do DEM, em dezembro, alegando razões pessoais. Na ação, o procurador pede que as ações tenham prioridade e sejam analisadas em até 60 dias. Arruda e Prudente têm o prazo de cinco dias para apresentar defesa. A ação do procurador foi motivada porque o próprio DEM não recorreu à Justiça Eleitoral. A resolução do TSE que fixou em 2007 normas para infidelidade partidária, não prevê justa causa para desfiliação partidária por questão de foro íntimo.
Afastamento
O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil, Ophir Cavalcante, encaminhou, terça-feira, ao procurador-geral da República, Roberto Gurgel, ofício no qual requer o empenho do chefe do Ministério Público no sentido de adotar as medidas necessárias para o imediato afastamento do governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda, ou, se for o caso, a decretação de sua prisão preventiva , tendo em vista que sua permanência no cargo poderá ensejar dano efetivo à instrução processual . (Com agências)
