Jornal do Brasil

Quinta-feira, 16 de Fevereiro de 2012

País

Geddel Vieira Lima: Eu estarei no segundo turno

Jornal do Brasil

Leandro Mazzini , Jornal do Brasil

BRASÍLIA - Geddel Vieira Lima não tem meio termo para falar de política. Desanca o governo da Bahia e chama de factóide o anúncio de uma ponte ligando Salvador a Itaparica, apesar da situação delicada que o mantém na esfera federal aliado do presidente Lula e, na terra natal, agora adversário ferrenho do governador Jaques Wagner. Nesta entrevista ao JB, o ministro da Integração Nacional reforça que será mesmo candidato ao governo pelo PMDB, já elabora o programa, diz que volta à Câmara como deputado para arrumar a campanha e que conversa com PRTB, PTB, PSC para uma coalizão.

O senhor hoje é ministro da Integração Nacional, aliado do presidente Lula. E do governo da Bahia?

Não. Sou aliado do presidente Lula e o PMDB deixou de ser aliado do governo do estado quando identificou que os compromissos político-administrativos que nos embalou nos sonhos de mudanças na Bahia, em 2006, não estavam sendo cumpridos. Entregamos os cargos, demonstramos que o PMDB da Bahia não tem nada de fisiológico; não no discurso, na prática. Foi antes, inclusive, do prazo eleitoral, para mostrar que a nossa postura era política, não era oportunista.

O governador Jaques Wagner, pelo que se tem notícia, mantém a mesma linha de governo desde o início. Por que só agora o PMDB, às vésperas da eleição, saiu?

Não foi às vésperas da eleição. Essa decisão foi tomada em agosto. Às vésperas da eleição a atitude quem tomou foi o PT da Bahia, que conseguiu obter mais cargos do prefeito João Henrique, do PMDB, em outubro de 2005. Quando chegou abril de 2006, às vésperas da eleição, deixaram o governo com críticas e partir para uma candidatura própria. Nós, não. Vínhamos alertando publicamente que o governo não estava nos rumos que gostaríamos. Chegamos a entregar ao governador do estado um documento apontando alguns avanços e o que estava equivocado naquelas áreas em que cumpria ao PMDB administrar. Não recebemos resposta. A partir daí, é legítimo que os partidos se posicionem, oferecendo alternativas à Bahia.

Salvador não perde com essa disputa política, tendo a prefeitura do PMDB e o governo do PT?

Por quê? Alguém vai retaliar a cidade por questões políticas?

Isso não acontece?

Não. O presidente tem deixado claro que, independentemente de posições políticas, vai atender a todos. Eu tenho visto governos de oposição, por terem projetos e avanço, conseguir arrancar mais para seus estados do que a Bahia. O que a prefeitura de Salvador está recebendo hoje, do governo do estado, é exatamente o mesmo que tinha quando era aliado: nada.

E obras de parceria?

Não tinha antes. Tudo que tem hoje, na Bahia, seja em Salvador, ou no estado, 98% são do governo federal.

A situação seria melhor se os partidos fossem aliados, como no Rio, por exemplo?

Partidos são aliados a nível nacional e tudo está acontecendo. O que tem em Salvador, hoje, é exatamente o mesmo que tinha quando os partidos eram aliados absolutamente nada. A questão política não pode se confundir com a questão administrativa. Não há mais espaço, hoje, para essa doutrina de que você precisa ter alinhamento geral. Senão não vai haver posições divergentes.

O senhor é candidato ao governo do estado?

Sou candidato ao governo do estado da Bahia.

E sua relação com o governador Jaques Wagner?

Não tenho tido encontros com o governador Jaques Wagner, mas quando, eventualmente, o encontro, é como pessoa civilizada. O governador, nas circunstâncias da política, nos colocou como adversários. De minha parte, não sou inimigo.

Desde quando vocês são adversários?

Desde que o PMDB deixou o governo dele, em agosto. Não tive mais conversa política com o governador Jaques Wagner.

Não houve nenhum sinal do PT ou do governador para uma aproximação?

Nem eu o procurei nem ele me procurou. Estamos discutindo projetos para a Bahia.

O presidente Lula sugeriu alguma coisa?

Não conversei com o presidente sobre esse tema. O presidente não me sugeriu nada.

O PT e o PMDB devem se alinhar a nível nacional. A Bahia pode ser uma exceção. O senhor seria então o palanque da oposição?

Não. Eu tenho dito desde sempre que defendo a preservação do projeto nacional do presidente Lula. Que na Bahia pode se repetir o que já ocorreu no passado no Pará, em Pernambuco: palanques duplos onde a divergência estadual seja explicitada, mas que o apoio nacional seja público. Essa é a posição que tenho defendido e é nessa linha que estou trabalhando. Essa linha só não se realizaria se o PT dissesse que não quer, que não deseja nosso apoio, que nos hostiliza. Vou trabalhar até o meu limite nessa direção.

Estamos na iminência das convenções. O senhor vai procurar os possíveis aliados para conversar agora?

Já tenho conversado com o PTB, com o PSC, com o PRTB e com outros.

E o PSDB?

O PSDB não é meu aliado, ele tem um candidato, que é o Paulo Souto, está aliado ao DEM.

Não há a possibilidade de uma aliança com o senhor?

Não, ele tem um aliado, que é o DEM. O projeto nacional dele é outro diverso do meu.

Mas o PMDB não corre o risco de ficar fraco na Bahia só com esses partidos?

Por que risco de ficar fraco? É exatamente igual às outras coligações, se permanecer isso aí - PTB, PRTB, PSC, PMDB. E conversamos com outros partidos, com o PR e outros.

Quem seria o vice ideal para o senhor?

Isso no momento oportuno vocês vão saber, não agora.

Não há hipótese de chamar o Paulo Souto (DEM) para conversar, nem o Jutahy Magalhães (PSDB)?

Conversar sobre as belezas da Bahia, sobre o futuro do Brasil, sobre o que pensamos a respeito da vida, sobre gostos de comida, tudo bem. Agora, conversar sobre política... nós estamos em outro campo. Salvo se o PT disser: Não queremos o seu apoio, não queremos que você continue nos apoiando .

Acredita em segundo turno na Bahia?

Não só afirmo que haverá segundo turno como estarei no segundo turno.

Contra quem?

Contra quem o povo escolher na eleição.

Aí haverá a possibilidade do DEM-PSDB no apoio?

Segundo turno é outra eleição. Você senta-se com quem ficar fora e tenta trazer a pessoa que esteja disposta a apoiar aquele projeto, sabendo que a hegemonia política do projeto será aquela que você comandar.

Então o senhor é palanque da Dilma Rousseff no primeiro turno.

Desejo ser um dos palanques da Dilma Rousseff, trabalharei para ser. Tenho dito isso internamente, tenho conversado isso publicamente, com a transparência que caracteriza meus atos. Não serei em que circunstância? Se disserem que não querem.

A ministra Dilma já conversou com o senhor?

Nesses termos, objetiva e claramente, não. Esses assuntos estão sendo tratados pela direção das duas legendas.

O senhor descarta ser um aliado do José Serra, o provável candidato do PSDB?

Quero de forma clara lhe dizer que o meu destino, o que o PMDB da Bahia deseja, é oferecer o palanque à ministra Dilma Rousseff.

Qual é a sua avaliação do governo Jaques Wagner? O que está faltando?

Atitude, a administração, a defesa dos interesses da Bahia. Gestão, em área de segurança pública, educação, saúde.

E o que o senhor proporia?

Vamos apresentar um projeto de governo. Já estamos com técnicos trabalhando, políticos trabalhando para apresentar um plano de ação que sustente a candidatura.

Qual vai ser a sua bandeira?

A bandeira fundamental é que governar é eleger prioridades. A segurança pública hoje é uma prioridade na Bahia; a interiorização do desenvolvimento; a apresentação de projetos claros que norteiem os quatro anos de governo com metas nitidamente estabelecidas. Não dá para você começar um governo sem planejamento, mostrando que você não tinha esperança de vencer. E dou um exemplo claro disso. O governo da Bahia, agora, trata de um grande projeto que é a ponte Salvador-Itaparica.

Explique

Isso em nenhum momento foi apresentado na campanha eleitoral. Isso não consta do plano plurianual, não consta do orçamento do estado. No último ano do governo, você falar de um projeto de R$ 3 bilhões, isso é uma demonstração clara de falta de planejamento.

Qual a sua opinião?

Acho que isso é factóide eleitoral, porque se fosse um projeto que tivesse dentro do planejamento, ele devia estar sendo proposto na campanha eleitoral, devia estar sendo proposto no primeiro ano de governo para ser viabilizado. Não discuto ainda o mérito do projeto, preciso conhecê-lo.