Ensino superior tem quase 1,5 milhão de vagas ociosas
Jornal do Brasil
BRASÍLIA - O crescimento do número de matrículas no ensino superior entre 2007 e 2008 não acompanhou a expansão das vagas. Em todo o país, foram registradas 1.479.318 vagas não preenchidas, de acordo com informações do Censo da Educação Superior, divulgado sexta-feira pelo Ministério da Educação (MEC).
De acordo com a secretária de Ensino Superior do MEC, Maria Paula Bucci, o fenômeno ocorre porque, durante o processo de autorização de um curso, as instituições pedem mais vagas do que de fato desejam oferecer.
O processo de autorização era muito lento. A tendência é que a instituição não precise mais fazer esse estoque de vagas ponderou. As instituições privadas respondem por 98% das vagas ociosas. Entre 2007 e 2008, o aumento de vagas ociosas foi de 10%. Apesar de alto, ainda é menor do que o registrado no período anterior, de 13%. O relatório do Censo aponta que é preciso analisar as razões para um número tão grande de vagas desocupadas, pois a oferta deve refletir a capacidade instalada do setor para atender à demanda por cursos de graduação .
A secretária acredita que é preciso, também, ampliar as fontes de financiamento para que a população de baixa renda que ainda está fora do ensino superior possa ter acesso a essas vagas ociosas.
O Fies (Fundo de Financiamento ao Estudante do Ensino Superior) está sendo reformulado, hoje ele é usado em grau muito menor do que poderia admitiu.
Outro dado negativo apresentado pelo censo é o índice de conclusão de curso. Apenas 57,3% conseguiu se formar. A taxa de conclusão foi calculada pela razão entre o número de concluintes de 2008 e os ingressantes de 2005.
As menores taxas de conclusão registradas em 2008 são de instituições privadas: 55,3%. Entre as públicas o índice é de 65%, chegando a 67% na rede federal.
Em 2008, havia 5.080.056 alunos matriculados em cursos superiores no Brasil, 4,1% a mais do que em 2007. O setor privado ainda responde pela maior parte das matrículas: 74,9% dos alunos estão em cursos particulares, enquanto 25,1% estudam em instituições públicas.
Para a secretária de Ensino Superior do MEC, Mari Paula Bucci, há um processo de expansão generalizado, tanto no setor público quanto no privado. Ela acredita que os programas do governo federal para aumento do número de vagas em universidades públicas só terão efeito nos próximos anos.
O grande crescimento do Reuni (Programa de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais) deve ocorrer em 2009. O importante é que o ensino público também está se expandindo e se interiorizando disse.
No ano passado, 1.936.078 alunos ingressaram no ensino superior, 8,5% a mais do que o registrado em 2007. No ensino presencial, entretanto, houve uma redução no crescimento do número de novos estudantes. Cerca de 1,5 milhão de alunos se matricularam em instituições de ensino superior, um aumento de 1,6% em relação aos dados de 2007. Em anos anteriores, esse aumento chegou a 7,2%.
Apesar do crescimento nas matrículas do ensino superior, o Brasil não vai cumprir a meta de incluir 30% da população entre 18 e 24 anos na universidade. Essa era uma das determinações estabelecidas pelo Plano Nacional de Educação (PNE) para 2011. Hoje essa taxa está próxima a 14%.
Até 2011 não vamos atingir essa meta. O crescimento dessas taxas são difíceis. Durante duas décadas (70 e 80) ela ficou estagnada em 8% argumentou o presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), Reynaldo Fernandes. (ABr)
