Relatório final sobre 'apagão' deve sair na próxima semana
Jornal do Brasil
BRASÍLIA - O diretor-geral do Operador Nacional do Sistema, Hermes Chipp, afirmou ontem em audiência pública na Comissão de Infraestrutura do Senado que o relatório final do apagão do último dia 10 será concluído em 4 de dezembro, e, então, encaminhado ao Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico. O relatório promete ser uma explicação conclusiva para o blecaute que deixou 18 estados às escuras. O documento deve eliminar dúvidas como se foi uma descarga elétrica ou água da chuva que provocou o desligamento das linhas de transmissão. Por enquanto, o governo descarta qualquer outra hipótese além do mau tempo. A expectativa é de que também seja esclarecido como os equipamentos do sistema elétrico responderam às condições difíceis de clima.
Temos 30 dias dados pelo ministro, mas pela relevância e pela importância, estamos fazendo todos os esforços para entregar na próxima sexta-feira, dia 4 antecipou Chipp. Os técnicos do ONS já repassaram à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) uma apresentação mais detalhada sobre o que foi descoberto até o momento. A investigação foi feita com base em aparelhos registradores do fluxo de carga nas linhas de alta tensão, vistos como uma espécie de caixa-preta do sistema, pela capacidade de registrar todas as alterações no momento do blecaute.
O diretor-geral do ONS disse também que não seria economicamente interessante manter um sistema de usinas térmicas auxiliar à hidrelétrica Itaipu, para entrar em ação no caso de um novo apagão. Segundo Chipp, o custo de manter um sistema de térmicas de 4 mil MW para dar suporte à Itaipu que tem potência instalada de 14 mil MW estaria em torno de R$ 500 milhões a R$ 600 milhões a mais por mês.
Não valeria a pena um investimento desse porte para um incidente que acontece com pouquíssima frequência descartou. O curto-circuito quase simultâneo de três linhas de transmissão, que provocou o apagão do último dia 10, de acordo com Chipp, é coisa rara. O diretor-geral do ONS admitiu que pode acontecer novamente algo similar , mas classificou como pouco provável . Essa é uma contingência de que eu, com 40 anos de operação, nunca tinha visto.
Questão de tempo
Chipp admitiu, também, a necessidade de reduzir o tempo levado para recupera a energia em casos de queda semelhante.
Não ficamos confortáveis e satisfeitos com o tempo de recomposição disse. Além do tempo de recomposição, trabalhar com a prevenção de novos incidentes e reduzir o efeito dominó de um apagão são metas fundamentais do setor após o apagão.
Já o diretor-geral da Agência Nacional de Energia Elétrica, Nelson Hubner, também presente na audiência, disse que ainda pretende ouvir as empresas nacionais e internacionais fabricantes de componentes elétricos para estudar o que pode ter dado errado durante o apagão. A Aneel também está envolvida na elaboração do relatório que deve apontar se os equipamentos deveriam ter continuado a operar mesmo com a ocorrência de fatores adversos de tempo.
Não há falta de investimentos no Brasil defendeu Hubner junto aos senadores. Para o diretor, o investimento no setor cresceu proporcionalmente à ampliação do sistema elétrico. De 2000 para cá, em obras licitadas pela Aneel, foram gastos de R$ 22 bilhões a R$ 23 bilhões, segundo Hubner. Há preocupação até se não estamos investindo demais, para não ter reflexo muito grande nas tarifas.
A defesa do governo na audiência ficou por conta do secretário executivo do Ministério de Minas e Energia, Márcio Zimmermann, que destacou que as melhorias no sistema elétrico têm que ser constantes.
Se você não fizer melhoria contínua na operação, vai ter cada vez mais uma degradação maior do sistema. Perturbações todo sistema tem. Tem sempre que trabalhar com a melhoria continua e a minimização ponderou. O secretário garantiu ainda que o Brasil continuará a investir em seu sistema interligado, fortemente baseado em hidrelétricas. O plano do setor é de, até 2030, investir 120 mil MW em geração de energia, de fontes variadas, mas concentrado em usinas. Segundo Zimmermann, de 2003 a 2008, R$ 16 bilhões foram investidos em transmissão. Até ano que vez, esse número chegará a R$ 40 bilhões. (Com agências)
