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Ministério concede anistia para Paulo Freire

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BRASÍLIA - A Comissão de Anistia do Ministério da Justiça considerou ontem, por unanimidade, o educador pernambucano Paulo Freire como anistiado político. Com isso, a viúva de Freire receberá uma indenização de 480 salários mínimos, desde que respeitado o teto de R$ 100 mil.

A audiência pública foi realizada como parte da Caravana da Anistia, durante o Fórum Mundial de Educação Profissional e Tecnológica, promovido pelo Ministério da Educação, em Brasília.

Estamos caracterizando o pedido de desculpas oficiais pelos erros cometidos pelo Estado contra Paulo Freire declarou o presidente da comissão, Paulo Abrão, ao final da sessão, acrescentando que há ainda muito a fazer, uma vez que há suspeitas de que arquivos, principalmente dos serviços de inteligência das Forças Armadas, ainda não tenham sido entregues ou tenham sido destruídos . Segundo Abrão, os documentos de inteligência encontrados queimados na Base Aérea de Salvador são uma prova de que há ainda muitos arquivos não abertos, apesar de que, tecnicamente, todos devessem estar desde o Projeto Memórias Reveladas, criado pela Casa Civil. Nesse aspecto, Chile, Paraguai, Argentina e Uruguai estão muito melhores do que o Brasil .

Para a viúva de Freire, Ana Maria Araújo, a ditadura atingiu violentamente e com malvadeza o exilado, destruindo sua natureza, seu corpo e sua cidadania .

Paulo Freire, sua cidadania foi retomada como você queria, e proclamada como você merecia disse Ana Maria, em tom emocionado. A viúva de Freire lembrou também que hoje há cerca de 340 escolas no Brasil com o nome do marido. Pretendo continuar fazendo o que ele me pediu em testamento: publicar aquilo que é inédito e cuidar dos livros já publicados.

Freire foi um dos primeiros brasileiros a ser punido pelo regime autoritário após o golpe de 1964. O educador ficou famoso por identificar na alfabetização um processo de libertação dos oprimidos e de conscientização. Demitido, preso e exilado, morreu em 1997.

Anistiar Paulo Freire é libertar o Brasil da cegueira moral e intelectual que levou governantes a considerarem inimigos da Pátria educadores que queriam libertar o país do analfabetismo disse o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A partir da experiência em Angicos (RN), em 1963, quando 300 trabalhadores foram alfabetizados em 45 dias, o método Paulo Freire consolidou-se como revolucionário e passou a influenciar o pensamento pedagógico em vários países. O método seria levado a todo o país com o Programa Nacional de Alfabetização, coordenado por Freire e instituído pelo Ministério da Educação em janeiro de 1964, mas encerrado precocemente pela ditadura militar. (Com agências)