Siamesa é enterrada no Distrito Federal
Portal Terra
GOINIA - O corpo de Ana Lara, siamesa que morreu domingo em Goiânia, Goiás, aos nove meses de vida, foi enterrado no Distrito Federal. O bebê compartilhava a parede abdominal e parte do coração com a irmã, Ana Clara. Ambas tinham um único fígado. A cirurgia de separação foi feita no dia 14 de novembro, mas, após oito dias, Ana Lara não resistiu devido a problemas no coração.
Ana Lara sofria de uma patologia rara e grave no coração, conhecida como Síndrome do Criss-Cross, conforme explicou o cirurgião-pediátrico Zacharias Calil, responsável pela separação das irmãs. O fluxo da circulação, neste caso, é em sentido contrário ao de outros corações.
Além disso, ela tinha um outro problema no coração que dificultava seu funcionamento: o sangue circulava em pequena quantidade. Quando ela foi separada da irmã, o coração teve de trabalhar com mais força, o que levou a uma insuficiência cardíaca e renal.
- Ela sobrevivia graças ao coração da irmã. Os dois órgãos tinham uma ligação. A dependência era tanta que ela não se desenvolveu. Pesava 3 kg a menos que a irmã. E se continuassem unidas, logo teríamos um quadro de insuficiência cardíaca e as duas morreriam - explicou Calil.
O médico lamenta a morte. Ele diz que, mesmo sabendo que a chance de sobrevivência seria bastante reduzida no caso de Ana Lara por causa das diversas patologias, havia uma esperança grande por ela ter aguentado nove meses e pela separação ter sido bem sucedida.
- A Ana Clara está bem, saiu da respiração por tubos e, pelo menos até hoje de manhã, quando saí do hospital, ela estava muito bem. Sem febre, evacuando normalmente, alimentando-se por sonda. Mas infelizmente a irmã dela não resistiu - comentou.
A cirurgia de separação durou 6 horas e envolveu 10 profissionais da área da saúde. A operação foi considerada de extrema complexidade, já que envolvia dividir dois corações de bebês. Ana Clara pesava 9 kg, enquanto a irmã, 6 kg. Ana Lara passou os oito dias seguintes fazendo hemodiálise, mas seu coração não resistiu e entrou em falência.
Os pais da criança moram na zona rural de São Sebastião, Distrito Federal. As crianças nasceram no Hospital Regional da Asa Sul. O pai é jardineiro, e a mãe, doméstica. Eles ficaram sabendo que as crianças eram siamesas ainda no pré-natal.
