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Eleição permite retorno de mensaleiros ao comando do PT

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BRASÍLIA - Cerca de 1,3 milhão de filiados do PT foram às urnas ontem para eleger a executiva que terá o papel de comandar o partido nas eleições do ano que vem na sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O resultado oficial deve sair entre hoje e amanhã, mas o favorito é o ex-presidente da BR Distribuidora da Petrobrás, José Eduardo Dutra, da chapa Muda o Brasil, apoiada por Lula e a ala majoritária. A provável vitória de Dutra marca o retorno à direção nacional das estrelas do partido ofuscadas pelo escândalo do mensalão: o ex-ministro José Dirceu e os deputados José Genoino Neto, João Paulo Cunha e José Mentor, todos do PT paulista, réus no processo por corrupção aberto pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

O adversário mais forte de Dutra, o deputado José Eduardo Cardozo (SP), da chapa Mensagem ao Partido, chegou a pregar a refundação do PT, mas também admitiu como um fato normal o retorno dos dirigentes acusados. A chapa de Dutra tem ainda o deputado José Nobre Guimarães (CE) cujo assessor, Adalberto Vieira, foi preso em 2005 com US$ 100 mil escondidos na cueca e a ex-deputada ngela Gudagnin, que em 2006, no plenário da Câmara, protagonizou a dança da pizza diante da absolvição de correligionários acusados no escândalo. Também disputaram a eleição outros quatro candidatos: o deputado Geraldo Magela (DF) a deputada Iriny Lopes (ES) e dois dirigentes, Serge Goulart e Markus Sokol.

O presidente Lula votou em Brasília, ao lado da primeira-dama, Marisa, e da candidata a candidata à sua sucessão, a ministra Dilma Rousseff, da Casa Civil. Lula procurou ressaltar a reoxigenação permitida com o Processo de Eleição Direta (PED), que diferencia o PT de outros partidos e ressaltou que o partido aprendeu com os erros cometidos no mensalão.

Não existe na história da humanidade, na história política do mundo, um partido que estando no poder não tenha cometido erros. O que nós precisamos é ter clareza que os erros cometidos devem servir de ensinamentos para que a gente não erre outra vez afirmou Lula.

O atual presidente do PT, deputado Ricardo Berzoini, disse que a eleição reforça a pluralidade e a democracia interna.

A eleição marca o retorno à cena política de José Dirceu, exonerado da chefia da Casa Civil em 2005, em meio à crise que por pouco não engoliu o governo todo. De volta à Câmara, no mesmo ano, Dirceu teve o mandato de deputado cassado e afastou-se formalmente das atividades partidárias. Mais tarde viria o dissabor de um processo no STF, acusado de chefiar a quadrilha que distribuiu recursos a parlamentares da base aliada. Dirceu passou a trabalhar como consultor de empresas, mas nos bastidores nunca deixou de fazer política, seja para ajudar a debelar as crises que envolveram aliados como o senador Renan Calheiros (PMDB-AL) ou o presidente do Congresso, José Sarney (PMDB-AP) ou ajudar o governo. É atualmente um dos principais articuladores da campanha de Dilma, cuja eleição admite que pode ser difícil, mas confia nas alianças e no desempenho do partido.

Falta fazer campanha, mas isso o PT sabe fazer disse ontem ao votar em São Paulo.