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Ministra cobra explicações de faculdade que expulsou aluna por vestido

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BRASÍLIA - A expulsão de uma aluna de uma faculdade por usar uma minissaia virou assunto federal. De governo. E causou protestos em entidades. A ministra Nilcéa Freire, da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres, disse neste domingo que vai cobrar da Universidade Bandeirante (Uniban), em São Bernardo do Campo (SP), explicações sobre a decisão de expulsar Geisy Villa Nova Arruda. A ministra também quer saber como a universidade está apurando o caso dos oito estudantes suspensos por atacar verbalmente a colega. A União Nacional dos Estudantes (UNE) soltou nota de repúdio à atitude da instituição.

Nilcéa condenou a decisão de expulsar a universitária e disse que a atitude da escola demonstra absoluta intolerância e discriminação .

Isso é um absurdo. A estudante passou de vítima a ré. Se a universidade acha que deve estabelecer padrões de vestimenta adequados, deve avisar a seus alunos claramente quais são esses padrões disse a ministra, durante o seminário A Mulher e a Mídia.

Segundo a ministra, a ouvidoria do ministério já enviou comunicado à Uniban. Nilcéia deve soltar nota nesta segunda e procurar o Ministério Público Federal e o Ministério da Educação.

Geyse Arruda, aluna do curso de Turismo, foi hostilizada no último dia 22 por cerca de 700 alunos no pátio da universidade porque usava minissaia. Segundo nota da instituição, a aluna usava a minissaia constantemente e provocava os colegas. Na nota, a Uniban informou que ela teria tido uma postura incompatível com o ambiente acadêmico . A estudante rechaça.

Mais protesto

Para a deputada federal Luiza Erundina (PSB-SP), que participou do seminário A Mulher e a Mídia. , a expulsão de Geyse não se justifica e parte de um moralismo idiota .

Mesmo que ela fosse uma prostituta, qual seria o problema da roupa? Temos que ter tolerância com a decisão e postura de cada um afirmou Erundina.

O Movimento Feminista de São Paulo prepara manifestação para nesta segunda, às 18 horas, em frente à Uniban. Na convocação, o movimento pede que as manifestantes compareçam usando minissaias ou vestidos curtos.

UNE

A União Nacional do Estudantes (UNE) divulgou comunicado neste domingo repudiando a decisão da Uniban de expulsar a estudante.

A UNE afirmou que essa história absurda teve um desfecho ainda mais esdrúxulo . Na nota, a entidade exige que a matrícula da estudante seja mantida, que a universidade se retrate publicamente e que todos os agressores sejam julgados e condenados não somente pela instituição, a Uniban, mas também pela Justiça brasileira .

Episódio

No dia do incidente, a Polícia Militar teve de ser chamada para conter as agressões verbais contra a aluna motivadas pelo vestido que usava. As imagens da confusão foram gravadas por universitários e postadas no site no mesmo dia. Desde o ocorrido, a estudante não voltou mais à universidade.

A aluna classificou como um absurdo sua expulsão da Uniban por usar minissaia. A universitária afirmou que nem ela e nenhum de seus advogados foram comunicados sobre a decisão da instituição de ensino. Ela soube da notícia pelos jornais.

Segundo a assessoria jurídica da Uniban, a decisão foi tomada após ouvir alunos, professores e funcionários. Não foram especificados, no entanto, quais seriam os gestos e atitudes da aluna que motivaram a expulsão. Segundo a Uniban, a aluna não foi encontrada para ser notificada oficialmente sobre a expulsão. (Com Agência Brasil)