Jornal do Brasil

Sábado, 1 de Novembro de 2014

País

Pnud: IDH brasileiro se mantém estagnado

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BRASÍLIA - O Brasil consolidou um histórico de aumento contínuo de seu Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). O avanço, porém, ocorre a passos muito curtos. A constatação do Relatório de Desenvolvimento Humano 2009 do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), divulgado segunda-feira em Brasília.

O documento mostra que, em termos de desenvolvimento humano, o país ocupa a 75ª posição em um ranking que inclui 182 nações. Segundo o relatório, o Brasil, apesar da continuidade da melhoria do índice, não tem conseguido galgar posições superiores na lista. Isso porque entre 1980 e 2007, o IDH brasileiro aumentou apenas 0,63%.

No ano passado, por exemplo, o país ocupava o 70º lugar no ranking do Pnud, mas uma revisão de dados fez com que a Dominica, a Rússia e Granada, subissem no ranking, ultrapassando a posição brasileira.

Dominica e Granada foram beneficiadas pelo aumento da expectativa de vida quando houve a revisão dos dados. No caso da Rússia, foi o aumento da renda que pesou explicou o coordenador do relatório, Flávio Comim. Além disso, a entrada de Andorra e Liestenstein no ranking divulgado segunda-feira (referente a 2007), também em posições acima da brasileira, fez com que o país caísse cinco posições, apesar de seu valor bruto no índice ter subido ligeiramente, de 0,808, em 2006, para 0,813, em 2007.

Se um país cresce pouco, ele acaba ficando para trás no ranking afirmou Comim, para quem o maior desafio para que o Brasil consiga elevar consideravelmente sua posição no ranking é aumentar a expectativa de vida da população, que atualmente é de 72 anos em média dez a menos do que a japonesa, por exemplo. Nesse ponto, o maior entrave, segundo Comim, tem sido a alta taxa de mortalidade infantil brasileira.

Isso está ligado não só à saúde, mas também à educação. Por exemplo, entre as crianças filhas de mães sem nenhum acesso à educação, as taxas de mortalidade infantil chegam a 119 por mil nascidos vivos. É um número maior do que os de muitos países africanos observou o coordenador.

Para Comim, aplicar 7% do Produto Interno Bruto (PIB) na saúde, como o Brasil faz, é pouco.

Faz 30 anos que o Brasil está atrás da Argentina, do Uruguai e do Chile no índice alertou. Além disso, o coordenador do Pnud chamou a atenção para o fato de que a taxa média de matrícula de 87,2% nos níveis fundamental, médio e superior acaba sendo prejudicada pelo alto índice de analfabetismo. Se olhássemos apenas a taxa de matrícula, teríamos um IDH igual ao de países desenvolvidos. Mas, quando se acrescentam os 10% de analfabetos, isso puxa o IDH da educação afirmou. Apesar das ponderações, o coordenador reconheceu que os programas de transferência de renda do governo têm reflexos positivos no índice. As crianças estão tendo mais acesso à alimentação e nutrição. Então, mais tarde, pode sim aparecer o resultado disso na expectativa de vida.

O diretor de Análises do Ministério da Saúde, Otaliba Libanio, questionou segunda-feira os dados do Pnud. Segundo ele, o IDH foi baseado em informações defasadas e considera a taxa de mortalidade infantil do último Censo, ou seja, de 1991 a 2000.

Eu tenho certeza de que, quando sair o censo do ano que vem, vamos ter uma melhora no índice garantiu Libanio. Nos último dez anos, foram criadas várias inciativas, como o Saúde da Família, que ajudaram a baixar a taxa de mortalidade infantil. Nós, inclusive, vamos conseguir alcançar a meta do milênio nessa área antes do prazo previsto. (Com agências)

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