Jornal do Brasil

Domingo, 25 de Junho de 2017

País

Em 2008, Rio foi o que menos recebeu verbas do Bolsa Família

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Raphael Zarko, Jornal do Brasil

RIO - Tradicional reduto eleitoral do presidente Lula no segundo turno das eleições de 2006, quase 70% dos votos foram para Lula contra Alckmin o estado do Rio de Janeiro é o lanterna entre as 27 unidades da Federação que recebem transferências públicas do Governo Federal - o que inclui o Bolsa Família. O cidadão fluminense recebeu na média mensal, em 2008, pouco mais de R$ 6 de programas como o Bolsa Família, conclui o O atlas do bolso dos brasileiros, da Fundação Getulio Vargas (FGV).

De acordo com o estudo, o estado do Rio recebe menos que a metade de São Paulo e Distrito Federal (respectivamente, R$ 16,73 e R$17,83), que estão no topo dos que recebem o benefício do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Na comparação com o ano anterior ao da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad), o estado ainda caiu uma posição. Da renda total do RJ, apenas 0,79% são originados da categoria Transferências Públicas - ou Bolsa Família. O estudo coordenado pelo economista Marcelo Neri, (CPS-FGV) também separou periferias das nove maiores cidades brasileiras de suas capitais, totalizando 36 unidades no país. A cidade do Rio de Janeiro recebe em média por pessoa R$ 8,68, valor superior aos R$ 3,74 da periferia fluminense, que é a última no ranking. O município do Rio ocupa a 26ª colocação, dez à frente da zona periférica analisada pelo estudo.

Talvez isso se explique pelo fato da população do RJ ser proporcionalmente a mais idosa do país. Mas talvez por um certo problema de gestão, de cadastro, que me parece um pouco bagunçado. É um dinheiro que os pobres do Rio têm que receber. Já estudamos que temos cidades com 44% de taxa de pobreza no estado diz o economista. Segundo cálculos da equipe do CPS da FGV em cima da Pnad, o estado tem pouco mais de 10% abaixo da linha da pobreza (classe E), de pessoas que ganham em média até R$ 804, por mês.

O estado brasileiro com menor renda mensal de todas as fontes, o Amapá, foi também o que teve o maior aumento de recebimento de transferências públicas entre 2003 e 2008: 17.442,86% - em valores R$ 12,28. Outros três estados da Região Norte completam o quadro dos que tiveram maiores saltos de transferências do Governo Federal: Amazonas (661%), Maranhão (540%), Rondônia (408%) e o único nordestino, Alagoas (352%) nos últimos cinco anos.

Na outra ponta, entre os cinco estados que menos recebem renda de transferências governamentais no período de 2003 a 2008: Rio Grande do Sul, com 51,51%; Espírito Santo, 35,97%; Minas Gerais, 77,61%; Acre, 32,45% e Roraima, 96,38%.

Rio Velho

Na composição da renda do Rio de Janeiro, destaca-se a participação expressiva de ganhos com Previdência acima do valor do salário mínimo, com 25,35%. Trata-se do único ranking que o estado lidera entre os diferentes tipos de renda. A participação é ainda maior se contarmos apenas com o município (27,22%), também no topo da comparação com outras capitais e periferias do país. A zona periférica fluminense também está bem colocada, com a 4ª colocação e 21,78% de sua renda advinda do piso da Previdência acima do salário mínimo. Para Marcelo Neri, essa proporção se explica pelo fato de o estado ter o maior percentual de idosos dentro de seu estado no país. São mais de 2 milhões, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad/2008), que vivem no Rio de Janeiro.

Somos um ex-Distrito Federal, com altas pensões e aposentadorias. Temos um pouco a imagem do Rio como uma Flórida brasileira, de gente jovem e bronzeada, na praia, mas reflete um pouco a população de Copabana, em sua grande maioria de idosos, do lado da praia e bronzeados também diz Neri, que também não descarta um possível efeito migração de pessoas que querem morar os últimos anos de sua vida no Rio Somos uma Velha Brasília.

Por outro lado, quando a renda do piso Previdência tem valor igual a um salário mínimo, o RJ está na 24ª posição na comparação com as outras unidades da Federação, sendo que corresponde a 2,52% da renda do cidadão fluminense por mês. Já a receita de trabalho (apesar de ser 69% na composição total).

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