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Governo apresentará à Fifa projetos para uma Copa sustentável em 2014

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Luciana Abade, Jornal do Brasil

BRASÍLIA - Depois de conquistar o direito de sediar a copa do mundo de 2014, o Brasil tem pela frente um novo desafio: fazer um evento esportivo ambientalmente sustentável. Energia solar para iluminar os estádios, coleta seletiva integral de lixo nas cidades-sede e priorização de material ecologicamente corretos nas novas construções são apenas alguns dos projetos que o grupo de trabalho formado por senadores, deputados e representantes dos ministérios do Meio Ambiente, Esporte e Turismo apresentou à Presidência da República na última quinta-feira. Segundo a senadora Ideli Salvati (PT-SC), o projeto deve ser levado à Fifa, em setembro, em uma reunião preliminar a ser realizada no Rio de Janeiro.

A receptividade do presidente Lula à idéia de uma copa limpa é ótima afirmou a senadora. A maior parte das propostas é viável. Agora é preciso que a Fifa compre a ideia.

Energia solar

O laboratório de energia solar da Universidade de Santa Catarina (UFSC) preparou o projeto Estádios Solares uma opção sustentável para a Copa 2014 no Brasil, que propõe a instalação de painéis solares na cobertura de todos os estádios que receberão os jogos. Os pesquisadores responsáveis pelo projeto acreditam que o apelo de marketing que a utilização de uma fonte alternativa, renovável, limpa e abundante como o sol, no Brasil, nos estádios durante a Copa do Mundo, será um fator de peso para que a energia solar ou fotovoltaica seja vista como uma aliada ao aumento da geração e distribuição de energia limpa no país.

Estádios com energia solar vão funcionar como mini-usinas dentro dos centros urbanos explica uma das pesquisadoras do projeto, a arquiteta Ísis Portolan. Isso evita perdas na linha de transmissão e distribuição, diferente da energia gerada em usinas hidrelétricas.

Além de possibilitar ganhos econômicos a médio e longo prazo, a pesquisadora afirma que a energia solar fotovoltaica evita os danos causados pelas inundações feitas pelas hidrelétricas, uma vez que a putrefação das árvores e animais causa uma emissão de gás carbônico, um dos principais causadores do efeito estufa, equivalente à emissão gerada por uma floresta queimada .

Segundo Ísis, o uso de energia solar no Maracanã, estádio do Rio de Janeiro com capacidade para 92 mil espectadores, seria suficiente para suprir a energia de aproximadamente duas mil casas. A economia trazida pelo uso de energia solar nos estádios das cidades-sede seriam, por sua vez, suficientes para iluminar uma cidade com 40 mil habitantes.

A tecnologia proposta é de ponta e custa caro. Para implantá-la, seria necessário importar as placas fotovoltaicas dos Estados Unidos, Japão ou Alemanha. A incorporação da energia solar nos estádios do Maracanã, Mineirão (MG), Beira Rio (RS) e Fonte Nova (BA) demandaria um investimento de aproximadamente 52,4 milhões de euros em equipamentos. Mas a pesquisadora garante que se o Brasil investisse, conseguiria desenvolver a tecnologia a tempo da Copa, o que tornaria ainda mais viável o projeto.

Despreparo

O transporte sustentável é uma das preocupações do grupo de trabalho Copa Limpa. Como a infraestrutura do transporte público deverá ser reformulada, o grupo espera que os projetos estaduais privilegiem veículos públicos com eficiência energética, como o uso de ecotáxi, triciclos usados para transporte público nas principais cidades da Europa, e implante vias para pedestres e ciclistas.

O projeto apresentado à Fifa mostrará que as obras realizadas para o evento serão adaptadas para um uso eficiente de energia e água e priorizará o uso de material ecologicamente correto, como madeira certificada e tijolos de solo-cimento. As cidades-sede receberão projetos paisagísticos que valorizarão a biodiversidade de cada uma delas.

Para a organização não-governamental Amigos da Terra - Amazônia, o Brasil não está preparado para ter uma Copa Limpa.

Preparar-se para uma Copa significa investir em infraestrutura, principalmente transporte e construção civil afirma o diretor da ONG, Roberto Smeraldi. E o Brasil está escolhendo uma matriz suja de infraestrutura. Talvez o trem Rio-São Paulo seja a única exceção nesse quadro.

Para resolver o problema do lixo que será produzido em larga escala no período, Smeraldi acredita que tornar mais caro o descarte dos resíduos e o uso da matéria-prima virgem é a melhor maneira de favorecer a coleta seletiva durante o evento.