Senado: PF encontra dificuldades para investigar empréstimos
Jornal do Brasil
BRASÍLIA - Apesar de o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), sustentar que não está disposto a ser obstáculo para as investigações das denúncias de irregularidades administrativas na Casa, a Polícia Federal tem encontrado dificuldades para avançar com o inquérito que apura o suposto esquema de desvio de recursos públicos em operações de crédito consignado para servidores da Casa.
O ministro da Justiça, Tarso Genro, anunciou nesta sexta-feira que pediria em ofício ao presidente do Senado a designação de um técnico da Casa para repassar todas as informações sobre os empréstimos consignados da instituição.
Queremos uma investigação profunda e técnica porque a PF não se envolve em questões de natureza política. Essa é a minha orientação e que tenho mantido. O trabalho vai a fundo e atinge todas as pessoas envolvidas prometeu o ministro.
O Senado resiste em repassar documentos com informações detalhadas sobre os contratos das empresas terceirizadas que intermediavam as movimentações financeiras e do sistema de crédito disponibilizado aos servidores. Segundo policiais que participam das investigações, a documentação entregue até agora não consegue estabelecer como funcionava o esquema do ex-diretor de Recursos Humanos João Carlos Zoghbi com as empresas terceirizadas, suspeitas de serem de fachadas, que realizam os empréstimos. Tarso negou que seja um constrangimento investigar o presidente do Senado.
Não há constrangimento. A PF só investiga deputado e senadores se houver determinação do STF (Supremo Tribunal Federal). Nas investigações ordinárias, ela investiga servidores, terceiros e lobistas. Se passar para esfera parlamentar, a PF só age se o STF ou o MP determinaram, portanto não há nenhum constrangimento explicou.
A PF abriu inquérito em maio para investigar o suposto esquema de desvio de recursos em contratos de empréstimos consignados de servidores do Senado com instituições financeiras. As investigações ficaram paradas por quase 30 dias porque o Senado não entregou documentos.
A PF deve analisar a suspeita de que José Adriano Sarney, neto do presidente da do Senado, proprietário de uma das empresas que trabalha com empréstimos consignados para funcionários da Casa, tenha sido favorecido nas negociações com a instituição. Sarney e José Adriano divulgaram nota negando que a relação familiar tenha beneficiado a empresa da família atuasse no Senado. A descoberta de que José Adriano mantinha negócios no Senado foi responsável pelo aumento da pressão para que o peemedebista se afastasse do comando da Casa. O suposto esquema de fraudes pode ter atingido 1,2 mil servidores da Casa. Um levantamento da Secretaria de Recursos Humanos identificou que esses funcionários tiveram empréstimos autorizados acima da margem permitida.
Em resposta à cobrança da Polícia Federal, Sarney determinou nesta sexta-feira que o secretário de Controle Interno da Casa, Eduardo Torres, fique responsável por prestar esclarecimentos sobre o esquema desvio de recursos públicos em operações de crédito consignado para servidores da Casa. (Com agências)
