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Nova direção deve manter estratégia na Gerdau

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Reuters

PORTO ALEGRE - A mudança na composição do Comitê Executivo do Grupo Gerdau deve garantir a manutenção das estratégias de investimentos das empresas. Além de ampliar a área de atuação, chegando a mercados da Ásia e do Leste Europeu, o grupo pretende consolidar sua atuação em todos os segmentos da indústria siderúrgica.

As metas foram reafirmadas nesta terça-feira, em Porto Alegre, durante o anúncio da nova composição do Comitê Executivo.

- Os acionistas podem ter otimismo com a continuidade - disse Jorge Gerdau Johannpeter, atual presidente-executivo do Grupo.

A partir de 1o de janeiro de 2007, Jorge Gerdau Johannpeter será substituído na presidência pelo filho André Gerdau Johannpeter. O outro candidato ao cargo, Cláudio Gerdau Johannpeter, desempenhará a função de diretor geral de operações.

Além de André e Cláudio, que são primos, outros executivos teriam sido cogitados para assumir as funções. A opção por um membro da família teria sido feita em função da maior garantia do respeito ao 'legado dos antepassados' e dos valores que teriam permitido que, em 100 anos, a companhia passasse de uma fábrica de pregos a um grande complexo siderúrgico.

As mudanças fazem parte de um processo de reorganização da administração da empresa, iniciada em julho de 2002. Com isso, Jorge Gerdau, atualmente com 69 anos, permanecerá exclusivamente como presidente do conselho de administração da companhia.

A Gerdau teve um lucro 8,6 por cento maior no terceiro trimestre deste ano em relação ao mesmo período do ano passado. A companhia registrou nos três meses encerrados em setembro resultado positivo de 881,9 milhões de reais.

INVESTIMENTOS

Mesmo sem dar detalhes sobre os planos, os novos responsáveis pelo complexo afirmaram que o grupo tem saúde financeira para sustentar o crescimento. A estratégia de crescimento estaria condicionada pela avaliação de rentabilidade a longo prazo dos negócios.

Segundo o futuro presidente, a empresa pretende consolidar-se como líder do setor, capaz de enfrentar o gigantismo de concorrentes como a Mittal e Arcelor, recentemente fundidas. Entretanto, André Gerdau afastou a hipótese de uma fusão do grupo com a CSN e a Usiminas.

- São empresas com um controle bem definido. No momento, não há conversas neste sentido - disse o futuro presidente.

A companhia já é a maior produtora de aços longos das Américas e quer ampliar a participação nos setores de aços planos e especiais e em países como a China.

- Temos oportunidades em avaliação. A China é uma região que atrai, mas ainda não temos um calendário preciso - disse André.

Cláudio Gerdau lembrou que a empresa procura alternativas com potencial e alto grau de integração em toda a cadeia produtiva, incluindo o fornecimento de matéria-prima. Para o futuro diretor de operações, a China não teria vocação competitiva para tornar-se um grande exportador e, dificilmente, poderia se tornar uma ameaça como concorrente no setor a longo prazo.

Segundo o executivo, o grupo pretende aplicar, nos próximos três anos, 3 bilhões de dólares na expansão da capacidade de produção e modernização das instalações já existentes. No Brasil, a Açominas deve receber o maior volume de recursos com o objetivo de elevar a produção anual de 3 para 4,5 milhões de toneladas. Outro foco de investimentos deve ser a modernização de plantas nos Estados Unidos e Peru.

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