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País - Editorial

Um encontro com setembro

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Se agosto nunca foi mês dos mais propícios para a política, e já que vai chegando ao fim sem acidentes históricos, as expectativas se voltam para o setembro primaveril, sempre mais suave, além de trazer ares de algum patriotismo, resíduo das festas da Independência. É de se esperar, por exemplo, que a recém-inaugurada campanha eleitoral conduza informações mais claras sobre as candidaturas à presidência da República e à governadoria dos estados; sem dúvida de que, até agora, é insuficiente o que deles e de seus programas se informou. O tempo setembrino será a última chance de a nação travar relações proveitosas com quem se propõe o assumir os destinos do país. Porque em outubro os cenários já estarão tomados por tensões e emoções que nunca faltam.

Outra virtude a ser creditada ao nono mês é a introdução de um maior cuidado para cercar as pesquisas eleitorais, porque elas também têm alguma reserva em relação aos seus números: “três pontos para mais ou para menos”. Porém, se realizadas sob critérios científicos, guardada a seriedade, podem prestar bom serviço, como denunciar as tendências abstencionistas e os votos tendentes à anulação. Dão tempo para um último apelo à participação dos eleitores descrentes. E lembrar a esses que nada melhor que uma omissão para piorar a situação.

Sobre a verificação de tendências, como as que ainda serão divulgadas, vale considerar que, findo agosto, tão ao gosto das especulações, os números devem escapar do jogo de ciranda das possibilidades, maiores ou menores, entre os disputantes; mas mostrar, com concretude, as forças reais dos candidatos. Passam a ser menos frequentes as oscilações que marcam a corrida do sobe-desce, com os nomes ao sabor de fatos muitas vezes artificiais ou de fugaz importância política. As incertezas agostinas já perdem fôlego, abrindo ao eleitorado um horizonte mais claro.

Quando setembro vier, é provável que os discursos sobre programas de governo, e as possibilidades de eles se viabilizarem, preservem o mínimo de coerência lógica. Os tempos que se vive hoje não são apropriados para fantasias e delírios. Ainda que a conversa leal com a nação trace certo descontentamento, é fundamental que se estabeleça uma relação que não desvie de respeitosa sinceridade sobre os limites que regem os poderes do governante. Não há um estoque milagres em Brasília. ( Mas tudo em boa medida: o candidato haverá de ser realista, sem que se transforme em mero mensageiro de amarguras, e cuidar, convenientemente, para que a urna não se transforme em vaso de absinto).

Para ampliar o peso do conteúdo do discurso no mês final da campanha, caberá aos candidatos oferecer à sociedade um monólogo capaz de suprir o muito que, em condições normais, haveria de caber aos partidos, adormecidos no descrédito popular. Não é outra a constatação de recentes levantamentos de opinião pública: quase metade dos entrevistados nem se interessa pelas legendas partidárias, mesmo com a profusão de siglas, que atualmente são 35 legalizados no Tribunal Superior Eleitoral. Outra metade não tem partidos prediletos, o que coincide com a assertiva de que o eleitor vai continuar preferindo votar mais na pessoa do que em legenda. Ora, se estamos caminhando para um embate caracterizado pela fulanização, vê-se que é a pessoa, ante e acima dos partidos, que pede a unção do eleitor.

Aberta a reta final, desejável é que a caminhada, dos eleitores e dos pretendem seu voto, não tenha tropeços e vicissitudes. Para o Brasil respirar e continuar com esperanças.



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