Jornal do Brasil

Terça-feira, 21 de Outubro de 2014

País - Opinião

'Não é normal' proximidade de governantes com empreiteiros, diz Pezão 

Espera-se que, como governador, ele agilize junto ao MP investigações contra Cabral

Jornal do Brasil

Em entrevista nesta segunda-feira (18), o candidato do PMDB ao governo do Rio, Luiz Fernando Pezão, afirmou que "não é normal" a proximidade de governantes com empreiteiros. 

Pezão foi vice-governador de Sérgio Cabral, contra quem há inúmeras denúncias de envolvimento com grandes empresas.

Em fevereiro de 2012, por exemplo, a operação Monte Carlo, da Polícia Federal, buscava desmantelar o jogo ilegal. Chegou ao nome de Carlos Augusto de Almeida Ramos, conhecido como Carlinhos Cachoeira, que foi condenado a 39 anos de prisão pelos crimes de peculato, corrupção, violação de sigilo e formação de quadrilha. Um dos principais comparsas de Cachoeira, Cláudio Abreu, era o diretor da empreiteira Delta no Centro-Oeste e também foi preso. Fernando Cavendish, dono da Delta, teve seus bens bloqueados pela Justiça e a empresa foi proibida de participar de licitações públicas. Sérgio Cabral, por sua vez é amigo de Cavendish.  

Fotos e vídeos divulgados pelo ex-governador do Rio Anthony Garotinho mostraram a intimidade entre Cabral e Fernando Cavendish, que, inclusive, viajaram juntos a Paris em 2009, quando foi descoberta a "farra dos guardanapos". Na ocasião, vários secretários do governo Cabral foram fotografados com  guardanapos na cabeça. 

Cabral, o dono da Delta e outras autoridades do Rio em Paris
Cabral, o dono da Delta e outras autoridades do Rio em Paris

A Delta recebeu, durante o governo de Cabral, no Rio, mais de R$ 400 milhões por obras realizadas.

Cabral também foi investigado, em 2013, por usar helicópteros do governo para fins pessoais, depois de fotos de sua família e babás serem divulgadas na imprensa, usando a aeronave. 

A investigação foi arquivada em 2014 pelo Ministério Público, que declarou que o emprego do transporte aéreo se justificava por questões de segurança e otimização do tempo.

Em 2010, Cabral recebeu, para sua campanha, um total de R$ 20.677.106,61. Dos 20 doadores, nove eram empreiteiras que doaram quase R$ 4,5 milhões. No começo deste ano o Senado aprovou o projeto de lei que proíbe a doação de empresas e pessoas jurídicas para campanhas.

Em junho de 2011, a queda de um helicóptero que levava parentes de Sérgio Cabral e Fernando Cavendish a Trancoso, na Bahia, mostrou ainda mais a proximidade do governador com o dono da Delta, uma das empresas mais beneficiadas pelos contratos estaduais e que foi o pivô de uma série de críticas e pedidos de investigação que não foram levados adiante. Com ampla maioria na Alerj, o PMDB e seus aliados puseram panos quentes no assunto

Cabral renunciou ao cargo de governador em abril com a justificativa que queria concorrer a uma vaga no Senado

Espera-se, com esta feliz declaração, que agora como governador Pezão mostre dignidade e agilize, junto ao Ministério Público, as investigações sobre Sérgio Cabral.

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