Jornal do Brasil

Segunda-feira, 22 de Dezembro de 2014

País - Opinião

Ebola: mundo investe mais na morte do que na vida

Gastos com combate ao vírus são inexpressivos se comparados com os da indústria da guerra

Jornal do Brasil

Trinta de oito anos após o registro do primeiro caso de ebola, as organizações e principais autoridades mundias começam a se debruçar sobre o continente africano, onde o vírus se propaga sem controle. Agora que a epidemia ameaça ultrapassar as fronteiras, alarmando Estados Unidos e Europa, a Organização Mundial de Saúde (OMS) anuncia que é preciso um investimento de US$ 100 milhões e o Banco Mundial libera US$ 200 milhões para o combate. Além de tardias, as cifras parecem inexpressivas, se comparadas com o que países do Primeiro Mundo gastam com guerras.

O vírus já causou mais de mil mortes na África na epidemia atual. Epidemia potencializada pelas péssimas condições de saneamento e precários serviços de saúde. Dificuldades históricas enfrentadas pelo continente africano, sem que países ricos - que durante séculos lapidaram e lotearam a África - unissem esforços para melhorá-las. 

Enquanto a propagação se limitava ao continente africano, o ebola não mereceu atenção prioritária das lideranças mundiais, e muito menos investimento de peso no seu combate.

Paciente com ebola recebe tratamento
Paciente com ebola recebe tratamento

Agora, mesmo com a mudança de postura após o vírus ficar fora de controle, o combate que parece merecer gastos estratosféricos não é o pela vida, e sim o pela morte. O combate das guerras.

O programa de despesas do Pentágono para o ano de 2015 chega a US$ 496 bilhões, mesmo com um severo corte anunciado pelo governo dos EUA. Em 2013, o orçamento foi de US$ 600 bilhões. As despesas são maiores que o de China, Rússia, Reino Unido, França, Japão, Alemanha, Índia e Brasil juntos.

Estimativas dão conta de que a guerra do Iraque custou US$ 300 milhões por dia. E que desde 11 de setembro de 2001 os Estados Unidos gastaram R$ 3,3 trilhões com o combate ao terror. Em 230 anos de história como nação independente, os EUA gastaram US$ 6,8 trilhões com grandes guerras, dizem pesquisas.

Se os investimentos fossem movidos por solidariedade, e não por interesses menos nobres, o dinheiro do mundo seria usado para salvar vidas, e não para produzir mortes.

Tags: áfrica, ebola, investimento, morte, SAÚDE, vírus

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