Jornal do Brasil

Terça-feira, 16 de Setembro de 2014

País - Opinião

Não era o deputado que tinha que desistir. A Justiça é que tinha de tirá-lo

Jornal do Brasil

É espantoso que num país que tem Ministério Público e Justiça eleitoral, um deputado federal acusado de corrupção decida, espontaneamente, desistir de sua reeleição antes que a Justiça aja para impedir que ele tente nova eleição. Não é ele que tem de sair, é a Justiça que tem de tirá-lo. 

Por que esta inércia apaniguando a corrupção? Por que esta hipocrisia? 

Na CPI dos Correios, o prefeito do Rio, então deputado federal, fez todas as acusações possíveis contra os acusados. Hoje, só há o silêncio. Silêncio em torno do inquérito envolvendo a CBV e agora sobre este escândalo que atingiu o secretário do prefeito, que ocupou duas pastas e ainda foi coordenador da sua campanha de reeleição. 

A leniência e a corrupção levam este país a um confronto institucional que pode ser sem saída. Dois terços da população passa fome ou come com a  ajuda do governo. Se não houvesse bolsa família, remédio de graça, esse povo estaria passando fome. E o que aconteceria neste país com mais de 200 milhões de habitantes se não houvesse esta assistência do governo? Assistência que a oposição critica, mas não responde o que fazer para substitui-la.

Estes políticos têm consciência do que aconteceria com este país se estas várias "rocinhas" - que não preferem defender o marginal, mas sim aqueles que os protegem - fossem para as ruas?

Agora, a montadora Fiat ameaça uma paralisação, o que significa que depois virão as demissões. O que a elite brasileira está pensando que pode acontecer?

Se a França - um país mais rico, menos populoso e mais qualificado intelectualmente que o Brasil, com educação para 100% da população - hoje se vê ameaçada pelos mais pobres das periferias, que protestam e reagem incendiando, o que pode acontecer aqui?

Um candidato a governador comete o deslize apontado pela grande imprensa, como se ele tivesse discriminado a população da Baixada Fluminense. Claramente o que este senhor quis dizer é que há falta de educação em rincões mais baixos, quando vê filhos passarem fome e pais morrerem sem trabalho. Apelam para qualquer tipo de sorte. Se não fosse a Igreja desse senhor, que também ampara milhões de desesperados, poderia haver interpretações duvidosas. Mas não. O que este senhor quis dizer é de uma clareza absoluta, para desespero da elite e lamentavelmente da elite mandatária dos crimes de corrupção que cerca os governantes sem nenhum tipo de ação.

O país fazia as primeiras páginas de jornal, inclusive o prefeito quando deputado federal, apontando crimes e pedindo punição. Hoje, nós podemos acreditar que não era um pedido pela moralidade, era uma ação politica contra seus opositores. Coisa que para alguns surpreende, mas quem conhece os intestinos da campanha a governador em 2006, sabe que o espírito moralista do prefeito, com denúncias ferozes, atingiam até seu futuro aliado.

Tags: brasil, campanha, candidato, eleição, Rio

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