Jornal do Brasil

Quarta-feira, 30 de Julho de 2014

País - Opinião

A goleada da Alemanha e o verdadeiro significado da palavra 'humilhar'

Jornal do Brasil

O resultado de uma partida reflete a equipe que jogou melhor e a equipe que jogou pior. No passado, se dizia que quando uma equipe não faz, leva. O Brasil, nos seis jogos desta Copa, quase não fez. E quando fez, disseram que teve ajuda do juiz - como no pênalti contra a Croácia. O que aconteceu ontem foi que uma Alemanha viril, forte, que preferiu o isolamento de uma praia no interior da Bahia aos cabeleireiros tingindo, descolorindo e pintando os cabelos de seus atletas, jogou melhor.

Não justifica também que a vaidade desses jogadores passe a ser agredida pela torcida brasileira, como se eles fossem vendidos ou só se preocupassem com salários, consumo e vaidades. Até porque, esses jogadores novos têm em seus antigos colegas mais velhos um exemplo muito ruim. Eles hoje são ganhadores de dinheiro. Os pagadores deles não são as empresas brasileiras, são os clubes estrangeiros.

Quando olham para os jogadores craques que deram ao Brasil o campeonato, o bicampeonato e o tricampeonato mundial, como Jairzinho, Didi, Nilton Santos e o próprio Pelé, há um sentimento de pena. Nilton Santos morreu esquecido, se tratando num hospital público. Pelé enfrenta a prisão de seu filho estampada com sensacionalismo em todas as páginas de jornais.  Ele mesmo, Pelé, o maior jogador de futebol do mundo em todos os tempos, tem que fazer comerciais da pior qualidade para poder, talvez, sobreviver. Didi morreu com Parkinson, e ninguém sabe como. Garrincha, bêbado, internado, quase em cova rasa. Aqueles que ontem se sentiram humilhados - quando não foram - talvez nunca tenham tido a oportunidade de assistir a um jogo de futebol de seus clubes, para os quais supostamente dizem torcer. Ou com certeza nenhum deles seja sócio de clube algum. 

Como pode um país querer que haja estímulo ao futebol quando todos os clubes brasileiros estão falidos, e só não quebraram ou fecharam suas portas ainda por causa da benevolência da própria autoridade publica. Porque entre INSS, apropriação indébita de salário de jogador e imposto de renda, não teria como essas equipes existirem. Em compensação, 80% da equipe da Alemanha jogam na Alemanha. 

Não podemos reclamar e nem ofender esses atletas, dos quais alguns podem ter sido feitos no Brasil. Neymar é um exemplo recente. Fred joga no Brasil, e mais dois ou três. Todos os outros se transformaram em craques e foram escolhidos por Felipão no exterior. O próprio Felipão, que reclama da falta de patriotismo nos estádios, ignora que nesses estádios não havia torcedor nenhum: eram mauricinhos e patricinhas que ganharam ingressos dos patrocinadores que nunca patrocinaram clubes de futebol no Brasil. Só estão na boa. Patrocinam a CBF porque querem estar na boa, porque querem ganhar mais, auferir mais lucro. Mas não patrocinam com espírito patriótico os clubes de futebol do Brarsil.

O Flamengo, segundo o Ibope, tem 40 milhões de torcedores e 20 mil sócios pagando por mês R$ 300 cada um. Talvez a arrecadação de sócios do Flamengo não remunere seus empregados. Esse exemplo é tão gritante que nas últimas eleições presidenciais do Flamengo o candidato da oposição, Wallim Vasconcelos, não poderia ser presidente porque não tinha tempo mínimo como sócio, que era de um ano para ser presidente. Wallim não tinha um ano de sócio.

Mas não é aí que queremos chegar. De acordo com o dicionário, humilhar é verbo transitivo oriundo do latim humiliare, que significa tornar humilde. Humilhar, do inglês humiliate, implica em sujeitar alguém a algum tipo de humilhação e também acontece quando alguém se refere a outro com desdém ou desprezo. Isso sim. 

A dignidade brasileira foi humilhada no dia em que esta torcida humilhou uma senhora, Presidenta do nosso país. Quando nós não nos respeitamos na própria definição do latim e do inglês, não temos direito a reivindicar mais nada.

Tags: ALEMANHA, brasil, Copa, derrota, goleada

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