Jornal do Brasil

Quinta-feira, 27 de Novembro de 2014

Rio

Obrigado, Eduardo Paes

Nada melhor do que a ilusão. Prefeito enganou a todos na vida pública

Jornal do Brasil

Nada melhor do que a ilusão.

O prefeito Eduardo Paes enganou a todos na vida pública. Enganou Cesar Maia, se dizendo dirigente e supostamente grande e eficiente colaborador, desde quando começou administrando as regiões para onde foi indicado pelo ex-prefeito.

Paes enganou os tucanos, se dizendo grande aliado deles e aceitando ser o candidato de oposição contra o candidato do então governador Garotinho, Sergio Cabral. Na campanha, usou a língua sem saliva, atacando o candidato do governador Garotinho, Sergio Cabral, sem perdão. Seus ataques eram mais fortes quando as reuniões de campanha eram em casa de amigos. E chegavam ao exagero dos adjetivos impublicáveis - até porque haveria processo - quando em casa de parentes ou mesmo em sua casa. Só faltava chamar a polícia.

Eduardo Paes enganou a todos na vida pública
Eduardo Paes enganou a todos na vida pública

Imediatamente, com uma pequena conversa, Eduardo Paes enganou o PSDB e seus eleitores raivosos contra Sergio Cabral, assumindo a secretaria de Esportes e abandonando os tucanos.

Eleito, fez uma administração onde os ônibus não precisavam sofrer aumento e os hospitais eram maquiados com alguns esparadrapos. Diz ter trazido as Olimpíadas para o Rio sem poder dizer quanto o Brasil gastou de Eike Batista - se bem que desse também foi do povo brasileiro - e de outros empresários do setor financeiro e de algumas das poucas indústrias do Rio de Janeiro.

Reeleito, com um discurso que fazia do Rio uma cidade mais maravilhosa, hoje Eduardo Paes faz obras que em 20 anos estarão superadas. Diminui as vias, quando os grandes prefeitos do Rio sempre fizeram largos corredores de circulação. Atravessa a cidade com ônibus BRT - cujo corredor expresso já estava repleto de remendos e buracos pouco depois da inauguração, e as notícias de acidentes e atropelamento alarmam a população - , que estarão superados em poucos anos.

Os hospitais continuam sem médicos e sem leitos. A grande defesa que o governo federal tem para implantar o programa Mais Médicos, com a vinda de profissionais estrangeiros, começou justamente com a morte de uma criança, que não teve um neurocirurgião para operá-la.

Os trabalhadores, fundamentalmente os mais pobres, são os grandes sofredores. Para entrar em seus trabalhos às 8h da manhã, eles têm que acordar às 4h e sair de casa às 5h. Chegam em casa, exaustos, às 22h da noite. De tão cansados, muitas vezes sequer sentem apetite para se alimentar. O cansaço é maior do que a fome. Isso quando podem estar em casa e serem recebidos por suas mulheres oferecendo jantar. Muitos chegam em casa e encontram suas mulheres, que também vêm do trabalho, ainda mais cansadas. 

As obras do entorno do porto devem ser uma brincadeira. Esse senhor imagina que pode fazer daquela região Porto Madero, em Buenos Aires. Se esquece que o entorno do Porto Madero é residencial, dos afortunados da Argentina. E ali, no nosso porto, há os barracões das escolas de samba, que só vão funcionar nos quatro ou cinco meses que antecedem o carnaval. 

A população que frequenta a noite não pode bancar o desenvolvimento na hora convencional do trabalho, o que significa ser muito difícil que ali se instalem estabelecimentos comerciais, já que só poderão funcionar à noite. 

O Rio de Janeiro parou. Eduardo Paes gostaria que os trabalhadores e estudantes cariocas ficassem de férias durante três anos, para que desse chance a ele de oferecer bastante negócios aos empreiteiros. Ele ficaria feliz, e suas campanhas seriam mais fáceis de obter sucesso. 

Tags: Centro, cidade, prefeito, Rio, Trânsito

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Comentários

1 comentário
  • brenda costa

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