Jornal do Brasil

Segunda-feira, 22 de Dezembro de 2014

País - Opinião

A crise no Brasil

Jornal do Brasil

As principais cidades do Brasil vêm enfrentando, nos últimos meses, um crescimento assustador da criminalidade e da violência. Ônibus incendiados em São Paulo e no Sul, assassinatos em série no Distrito Federal, insegurança crescente no Rio de Janeiro são algumas das evidências de que a sociedade reage, com radicalismo e indignação, aos desmandos e escândalos envolvendo governos e autoridades, e ao descaso com a população.

O claro sintoma preocupa sociólogos. Paulo Baía, professor do Departamento de Sociologia da UFRJ, alerta que a população mais pobre é a ponta frágil da cadeia e a que mais sofre e se revolta com o descaso. Já para Marcus Ianoni, professor do Departamento de Ciência Política da UFF, esses acontecimentos colocam na ordem do dia a qualidade dos serviços públicos.

Enquanto a violência cresce, homens públicos são atacados por supostos envolvimentos com corrupção. No Rio, o governador Sérgio Cabral é associado com uma série de fatos com indicam mau uso do dinheiro público, desde seu envolvimento com a Delta ao uso pessoal indiscriminado de helicóptero do Estado.

No Maranhão, o escândalo envolvendo as péssimas condições dos presídios atingiram Roseana Sarney, e um pedido de impeachment chegou a ser elaborado, sem contudo que fosse adiante.

No Legislativo também os escândalos se multiplicam: Demóstenes Torres, Pedro Henry, Natan Donadon, Edmar Moreira são apenas alguns dos nomes que ganharam destaque não pelos seus feitos em benefício do povo, mas sim por suspeitas e acusações graves.

No Judiciário o Supremo Tribunal Federal, após receber aplausos em 2013 por causa do julgamento do mensalão, vem lamentavelmente sofrendo nos últimos dias, por parte de segmento da sociedade, ataques que abordam questões como decisões, às vezes monocráticas, sobre prisioneiro internacional não sendo repatriado e processo do mensalão mineiro, anterior ao federal, já ter envolvidos que receberam o benefício da idade (redução da prescrição quando se chega aos 70 anos), sendo dois muito importantes: um endinheirado senhor de colégios - que transmite ou macula a imagem da instituição, centro de formação onde conceitos se estudam - e outro, advogado, ex-tesoureiro, que ainda conseguem o privilégio da Justiça.

Recentemente, uma foto do ministro Joaquim Barbosa ao lado do foragido Antonio Mahfuz, em Miami, que tem prisão decretada no Brasil, causou repercussão nas redes sociais. A assessoria do STF se limitou a dizer que Barbosa não é amigo do delinquente e não pede o RG das pessoas com quem tirar fotos.

Mahfuz vive há cerca de 15 anos nos Estados Unidos, após ter a prisão decretada no processo de cobrança de uma dívida superior a R$ 144 milhões com o Chase Manhattan Bank. Ele era proprietário da A. Mahfuz S.A., uma das mais tradicionais redes de lojas do interior paulista na década de 80.

Nesta semana, a Folha de S. Paulo publicou uma carta de um leitor, advogado, que falava sobre o suposto impedimento de ministros do STF para julgar processo envolvendo bancos e perdas provocadas por planos econômicos. O leitor respondia ao presidente da Febraban, Murilo Portugal. Portugal é antigo presidente do Tesouro Nacional no governo tucano, ex-braço direito do ministro Antonio Palocci - afastado no governo Lula após quebrar sigilo bancário de um jardineiro, e num segundo momento, já no governo Dilma, por não poder comprovar consultoria - , ex-dirigente do FMI e do Banco Mundial. O advogado respondia a respeito das perdas que correntistas tiveram durante planos econômicos, afirmando que dois ministros do STF, Dias Toffoli e Gilmar Mendes, não poderiam participar do julgamento do processo envolvendo o caso. "O primeiro, quando advogado-geral da União, esteve no STF pressionando ministros para que votassem em favor dos bancos; o segundo é casado com advogada do escritório que entrou com ação para não cumprir o pagamento das diferenças", afirma o leitor na Folha de S. Paulo

Questionado pelo Jornal do Brasil sobre o suposto impedimento, Gilmar Mendes não respondeu.

Há de se considerar a coragem que vêm demonstrando ministros, como Marco Aurélio Mello, quando falam com a imprensa em defesa da instituição e do Estado, esclarecendo a sociedade mesmo quando há interpretações por segmento da imprensa com posições opostas. Ele, como outros ministros, se posiciona quando é preciso tomar decisões.

Quando uma autoridade pública é atacada, no Executivo, Legislativo ou Judiciário, o que se espera é que haja uma resposta. Um homem não pode passar por cima de um ataque à sua dignidade, à sua honra. Um homem público não se pertence. Ele representa o Estado, e o Estado tem que ser defendido.

Acreditamos que Gilmar Mendes vá reagir às acusações de suposto comprometimento. Mendes, aliás, que acaba de fazer grave denúncia que deve ser apurada, afirmando que as doações petistas aos condenados no mensalão poderiam ser lavagem de dinheiro.

Tags: banco, brasil, gilmar, julgamento, Mendes, STF

Compartilhe:

Comentários

1 comentário
  • Maria Roberta

    Este comentário foi removido.

Postar um comentário

Faça login ou assine para comentar.