Jornal do Brasil

Quarta-feira, 23 de Abril de 2014

País - Opinião

O prefeito da Paz

Jornal do Brasil

O prefeito do Rio reconhece que a cidade não está preparada para grandes intempéries, mas o ele se reconhece como um grande administrador. Eduardo Paes sugere a todos os trabalhadores que, com a chuva que alagou toda a cidade, não trabalhem; que ninguém tenha qualquer problema de saúde; que todos os doentes se previnam com muitos remédios e que evitem o uso de ambulâncias; que os médicos durmam nos hospitais; que as enfermeiras possam ficar em seus locais de trabalho; que os bancos não cobrem juros por eventuais pagamentos que não puderam ser feitos.

O prefeito dá a essa chuva a dimensão das grandes catástrofes como as tsunamis que destruíram Banda Aceh, na Indonésia, em 2004, ou Fukushima, no Japão, em 2011. As chuvas só destruíram as vias de acesso porque não houve tratamento digno a uma cidade que vai sediar os grandes eventos esportivos do mundo nos próximos anos, como a Copa do Mundo, o aniversário dos 450 anos de fundação do Rio, as Olimpíadas, entre outros.

 Senhor prefeito, o Rio e o Brasil se escandalizaram com os Black Blocs. E qual imagem que o mundo tem hoje do Rio de Janeiro, com as declarações do governador Sérgio Cabral, sobre a falta de segurança das ruas da cidade, justificando a volta da utilização do helicóptero oficial para seus deslocamentos pessoais? Enquanto Cabral sobrevoa a cidade numa aeronave de R$ 15 milhões pagos pelos contribuintes, esses mesmos contribuintes são penalizados com a falta de investimento que possa evitar o alagamento das ruas do Rio, impedindo que trabalhadores cheguem ao trabalho, os tribunais não funcionem, a justiça fique paralisada. Essa situação, sim, senhor prefeito é um verdadeiro tsunami na imagem do Rio e do Brasil.

Há pouco mais de um mês, quando o senhor inaugurou a Via Binário, não previa que estava entregando à cidade uma possível nova infraestrutura para as Olimpíadas. Como esse alagamento vai ocorrer até 2016, fica a dúvida: o problema no local será resolvido antes ou depois dos jogos. Se ficar para depois, algumas provas poderão ser disputadas na Via, que passa a disputar com a Praça da Bandeira o lugar de melhor lagoa temporária da cidade em época de chuva.

Uma obra do porte da Via Binário, que integra o Complexo do Porto Maravilha (?), foi entregue à população sem a infraestrutura adequada para atender aos usuários da nova via. Essa decisão precoce deve ser investigada pelo Ministério Público, já que coloca em risco aqueles que necessitam usar esse caminho. Uma obra inacabada que prejudica os trabalhadores, principalmente aqueles mais pobres, que moram mais distantes do local de trabalho. Se estas obras só ficarão prontas em 2016, o que acontece com a cidade até lá? Vai parar? Os cariocas vão ficar de braços cruzados?

O Aterro do Flamengo, também submerso após uma madrugada de chuva, é outro exemplo. As pistas se transformaram numa imensa piscina, que poderiam servir, junto com a Via Binário, para a prática de esportes aquáticos. Diante de tantos problemas, o senhor prefeito toma uma importante decisão: vai para a televisão pedir que os cariocas não saiam de casa. Esta é a solução? E quais as consequências disso para a economia da cidade e do país? Mas já que é assim, Paes deveria então decretar ponto facultativo em dias de chuva, para que o trabalhador não tenha seu dia descontado e nem seja prejudicado no seu emprego.

O Rio está no foco do mundo, concentrando as atenções com a realização na cidade dos dois maiores eventos esportivos do mundo, que são a Copa do Mundo e as Olimpíadas, num espaço de dois anos, e não resiste a um dia de chuva forte. Cenas de alagamento, bolsões de água, passageiros à espera de ônibus, congestionamento e enxurradas se repetem ano após ano, comprovando que os bilhões gastos em obras, ao contrário das chuvas, escoam pelo ralo.

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