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Sábado, 21 de Julho de 2018 Fundado em 1891
Nelson de Sá

Colunistas - Nelson de Sá

Neymar é alvo de ex-craques e agora de anunciante

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Antes mesmo da partida contra o México, o ex-jogador francês Eric Cantona já havia tornado Neymar seu alvo recorrente, no Instagram e no Eurosport, o maior canal esportivo europeu.

Na plataforma, escreveu contra fraudes e narcisismo, cobrando: Deixe-nos amar o Brasil da forma como amávamos. Na TV, montou esquete com uma maleta amarela com rodas que chamou de Neymar, porque você mal toca nela e ela roda, roda por horas:

“Por falar nisso, Neymar, você é um grande jogador e um grande ator. Mas cuidado com os erros de continuidade. Se é atingido no ombro direito, não pode chorar com a mão segurando a bochecha esquerda. Buaaá!”

Até o argentino Maradona dá sinal de estar cansado dos exageros do brasileiro. No programa De la Mano del 10, pelo canal de notícias venezuelano Telesur, com reprodução no YouTube, o agora comentarista declarou:

“Neymar, é preciso dizer, ou nos faz chorar ou nos faz rir. Porque quando o mexicano pisou nele era para chorar. Ao vê-lo correr é para rir. Como é essa história? Ou é amarelo para o mexicano ou é simulação de Neymar”.

Os memes chegam agora à publicidade, com risco financeiro ao brasileiro. Ecoando por jornais como o inglês Sun, a rede KFC lançou comercial na África do Sul em que o jogador rola como Neymar, deixa o estádio, atravessa favela, uma ponte, espera o sinal para cruzar uma rua e chega ao restaurante. No bordão: “Por que exagerar (make a meal) por um pênalti se você poder fazer uma refeição (make a meal)] por 29,90?.”

TORCIDA BRANCA Um âncora da rede canadense CBC perguntou e a correspondente do Globe and Mail transferiu a questão aos brasileiros: Por décadas, a cada quatro anos, o Brasil envia um esquadrão talentoso à Copa, que reflete sua população racialmente diversificada, mas os torcedores nas arquibancadas jamais o são. Por que isso nunca muda? Existe mudança no horizonte?. Já o New York Times publicou artigo sobre a dolorosa relatividade de raça no Brasil, destacando a frase de Neymar: Eu não sou preto, né?. DESAFIANDO EXPECTATIVAS também o NYT, entre os jornais ocidentais de cobertura mais crítica da Rússia, admite, com alguma resistência: Desa? ando expectativas, tensões geopolíticas e mil anos de história russa, o governo transformou a Copa num evento que é, bem, divertido. Pior, já é visto como um impulso de relações públicas para Putin, em casa e no exterior. O colega Trump, segundo o jornal, já tratou de declarar que a Rússia está fazendo um trabalho fantástico com a Copa.

DAAAAAA! Entre os que se deixaram tomar pela Copa está o oposicionista Aleksei Navalny, que tuitou em russo, logo após a vitória nos pênaltis sobre a Espanha: DAAAAAA!, que quer dizer sim. E brincou, sobre o goleiro: É preciso organizar uma série de manifestações para exigir que Akinfeev seja declarado Herói da Rússia. Enquanto isso, observou o NYT, o governo aproveita para avançar na Duma, o parlamento russo, uma reforma previdenciária elevando a idade para aposentadoria. E nesta terça (3), manchete digital do russo Kommersant, aumentou impostos.



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