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Quinta-feira, 19 de Abril de 2018 Fundado em 1891
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Mídia Comunidade - A escola que não constrói

O desastre do ensino público nas escolas da Rocinha

Jornal do Brasil Davison Coutinho*

A educação pública ainda é um fator no Brasil de muita precariedade e que vem avançando lentamente nos últimos anos. Todavia, na Rocinha o desastre na educação dessa comunidade baixa renda é maior, pois tem apenas na escola a chance de uma ascensão social.  O único caminho para um jovem pobre, da favela, de poucas oportunidades e com uma vida cercada pelas dificuldades e limitações, é o caminho da educação de qualidade, e a escola não está oferecendo esse crescimento tão necessário.

Nos últimos anos observando as inúmeras crianças e jovens da Rocinha, percebe-se que a maioria dos que estudam nas escolas dentro da comunidade tem uma dificuldade ainda maior com o aprendizado, o que revela um verdadeiro descaso com a educação. Jovens por exemplo no 7º ano, sem saber ao menos escrever ou ler corretamente, revelam um triste cenário com analfabetos funcionais em pleno término do ensino fundamental, e são aprovados nas escolas sem o menor critério de avaliação e nenhum comprometimento com a educação.

 As crianças vão para escola, recebem gratuitamente uniforme, material e transporte. Tudo parece muito satisfatório, mas nem tudo está perfeito. Na realidade, por trás dos muros, as coisas vão mal. A escola passou a ser apenas um passa tempo e a didática e espaço cansativos, o que distancia ainda mais os jovens, fator que aumenta a dificuldade desses jovens chegarem até o ensino médio, e quando chegam a dificuldade de aprendizado é ainda maior, o que os faz desistir, notavelmente comprovado com a evasão escolar.  O ensino superior passa longe da proposta educativa para a comunidade. Toda essa defasagem e afunilamento dos jovens nas escolas faz com que eles partam para um trabalho qualquer que o garanta na subsistência, ou às vezes para o caminho da marginalização.

É possível perceber que não há muita preocupação e intenção por parte dos governantes em formar toda essa comunidade, haja visto as creches e escolas existentes, sem falar na Creche Modelo que seria uma grande iniciativa para o ensino das crianças na pré-escola, ficou abandonada pelo governo do estado depois de construída pelo PAC 1. É preciso uma reforma urgente desses espaços de educação, não só física, mas no programa de ensino, é preciso amor para educar.

Somente com a educação os moradores poderão ser libertos, independentes e viver uma nova realidade. O cenário mudou, não queremos mais somente políticas assistencialistas, queremos oportunidades, queremos mais educação!

Será que o poder público não é capaz de enxergar a necessidade de uma responsabilidade maior com a educação dos jovens dessa comunidade?

*Davison Coutinho, 23 anos, morador da Rocinha desde o nascimento. Formando em desenho industrial pela PUC-Rio, membro da comissão de moradores da Rocinha, Vidigal e Chácara do Céu, professor, escritor, designer e liderança comunitária na Comunidade, funcionário da PUC-Rio. 



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