Jornal do Brasil

Quarta-feira, 10 de Abril de 2013

Maria Lucia Dahl

Fundo musical MPB FM

Jornal do BrasilMaria Lucia Dahl

Dentre as manias que eu tenho, como cantava Vinícius, uma é entrar no carro do meu companheiro  pra passar o fim de semana em Petrópolis e imediatamente ligar o rádio na MPB FM. A mistura entre música brasileira antiga e moderna, ou antigas, cantadas por gente moderna, me deixam viajando e não consigo falar com ninguém pra não perder essa magia  inusitada.

Tenho vontade de ligar pra rádio, e pedir pra colocarem Arrigo Barnabé, cantando “Suspeito” e outras coisas mais. Arrigo é a cara dessa mistura e não sei como a rádio ainda não pensou nisso. Não tenho mais seu CD e só o ouço na Internet. A Rádio seleciona um grupo inacreditável, que vai de Noel Rosa a Adriana Calcanhotto, passando  pela Blitz, Rita Lee, Bethania cantando Erasmo, Gal Costa e gente nova maravilhosa como Arnaldo Antunes, Marisa Monte e outros.

E foi lá, na MPB, que ouvi o anuncio do show do Duseck, no Citta América, na Barra.

Como ainda estivéssemos por lá, não resisti e resolvemos adiar pro dia seguinte a ida pra Petrópolis e irmos ver o show naquele dia. Liguei pro Duseck que disse pra chegarmos cedo, por que  o espaço ficava lotado, o que notamos assim que chegamos com gente pendurada até na sacada do segundo andar do shopping, pra ver o show.

Conseguimos duas cadeiras, milagrosamente, enquanto algumas pessoas tiravam as dos bares vizinhos , prometendo levá-las depois.

Duseck é um verdadeiro artista que canta, dança e compõe de um jeito muito especial, com um humor inigualável e respostas imediatas a qualquer assunto que o pegue de surpresa.

Será que a sua tia Zaza Gabor, aquela húngara que abalou Hollywood nos anos 60,  tambem tinha esse carisma? Duvido um pouco. Acho que ali rolava só uma beleza loura sem o charme do sobrinho.

Saio do show com o astral ultrapassando  a lua e as estrelas e até gostando do tráfego, que, óbviamente não andava. 

Ligamos a MPB  pra não sair daquele humor especial que o show nos deixou, chegamos em casa e, não sei por que resolvo ler o jornal.

E lá fiquei sabendo  que podaram a árvore da Pompeu Loureiro sem absolutamente nenhuma justificativa. Aquela árvore mais do que centenária era a paixão do meu pai. Parávamos sempre o carro pra olhar pra ela que fazia parte do Rio de Janeiro como o Corcovado ou o Pão de Açúcar.

Por que o povo brasileiro não pode ser como a Rádio MPB, juntando o velho ao novo e fazendo uma mistura deslumbrante em vez de derrubar prédios e árvores pra fazerem edifícios num estilo “neo-acredito?”

Tive vontade de chorar com seus galhos derrubados na foto e se houver qualquer movimento dos vizinhos para que seja salva, ponham na MPB, que estarei lá, sem falta!

Tags: árvore, JB, paixão, tráfego, zaza

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