Fundo musical MPB FM
Dentre as manias que eu tenho, como cantava Vinícius, uma é entrar no carro do meu companheiro pra passar o fim de semana em Petrópolis e imediatamente ligar o rádio na MPB FM. A mistura entre música brasileira antiga e moderna, ou antigas, cantadas por gente moderna, me deixam viajando e não consigo falar com ninguém pra não perder essa magia inusitada.
Tenho vontade de ligar pra rádio, e pedir pra colocarem Arrigo Barnabé, cantando “Suspeito” e outras coisas mais. Arrigo é a cara dessa mistura e não sei como a rádio ainda não pensou nisso. Não tenho mais seu CD e só o ouço na Internet. A Rádio seleciona um grupo inacreditável, que vai de Noel Rosa a Adriana Calcanhotto, passando pela Blitz, Rita Lee, Bethania cantando Erasmo, Gal Costa e gente nova maravilhosa como Arnaldo Antunes, Marisa Monte e outros.
E foi lá, na MPB, que ouvi o anuncio do show do Duseck, no Citta América, na Barra.
Como ainda estivéssemos por lá, não resisti e resolvemos adiar pro dia seguinte a ida pra Petrópolis e irmos ver o show naquele dia. Liguei pro Duseck que disse pra chegarmos cedo, por que o espaço ficava lotado, o que notamos assim que chegamos com gente pendurada até na sacada do segundo andar do shopping, pra ver o show.
Conseguimos duas cadeiras, milagrosamente, enquanto algumas pessoas tiravam as dos bares vizinhos , prometendo levá-las depois.
Duseck é um verdadeiro artista que canta, dança e compõe de um jeito muito especial, com um humor inigualável e respostas imediatas a qualquer assunto que o pegue de surpresa.
Será que a sua tia Zaza Gabor, aquela húngara que abalou Hollywood nos anos 60, tambem tinha esse carisma? Duvido um pouco. Acho que ali rolava só uma beleza loura sem o charme do sobrinho.
Saio do show com o astral ultrapassando a lua e as estrelas e até gostando do tráfego, que, óbviamente não andava.
Ligamos a MPB pra não sair daquele humor especial que o show nos deixou, chegamos em casa e, não sei por que resolvo ler o jornal.
E lá fiquei sabendo que podaram a árvore da Pompeu Loureiro sem absolutamente nenhuma justificativa. Aquela árvore mais do que centenária era a paixão do meu pai. Parávamos sempre o carro pra olhar pra ela que fazia parte do Rio de Janeiro como o Corcovado ou o Pão de Açúcar.
Por que o povo brasileiro não pode ser como a Rádio MPB, juntando o velho ao novo e fazendo uma mistura deslumbrante em vez de derrubar prédios e árvores pra fazerem edifícios num estilo “neo-acredito?”
Tive vontade de chorar com seus galhos derrubados na foto e se houver qualquer movimento dos vizinhos para que seja salva, ponham na MPB, que estarei lá, sem falta!
