Mais um que se vai
A história foi muito esquisita pra mim.
Há um mês atrás, por aí, eu estava almoçando na casa do meu companheiro com o seu primo Sérgio Benicio, quando, de repente, este último me fala sobre a morte do Luiz Jasmim, meu amigo desde os anos 60.
Peguei os jornais, olhei a TV, e nada, mas nada, falava da morte deste amigo famoso e talentoso, pintor e ator. Então fui direto ao Google que contava de um Jasmin vivíssimo, que ainda andava às voltas com o livro “Mulheres Encantadas”que lançou na Flip de 2012!
Encantada fiquei eu com a notícia que corri para dar aos meus amigos.
Qual não foi minha surpresa (muito desagradável), quando uma amiga me liga ontem, dia 8 de março, dizendo que o Jasmin tinha morrido.
Como da outra vez que ouvi esta notícia, não vi nada nos jornais nem na TV, resolvi ir direto ao Google, que dessa vez confirmou a sua morte.
Luiz Jasmim, um dos homens mais bonitos que conheci, que foi também ator, estreando na peça do Antonio Bivar, Cordélia Brasil, junto com a internacional Norma Bengell, tinha, realmente, falecido depois de um longo período de câncer.
Voltei aos anos 60 e me lembrei dele, maravilhoso, dançando comigo na boate Black Horse. Estávamos ambos começando uma carreira de atores. Então, como o diretor Joaquim Pedro de Andrade estivesse se preparando para filmar O Padre e a Moça, alguns conhecidos meus e de Jasmin, que estavam na boate, começaram a gritar para nós: “Olha lá! O padre e a moça!”
Ficamos espantados, mas felicíssimos de pensarem em nós dois como protagonistas desse filme, que na verdade foi interpretado por Paulo José e Helena Ignez.
Jasmin tinha muitas prendas. A primeira, que saltava aos olhos, era a sua beleza, depois os seu talento como pintor extraordinário especializado em retratos, numa época contestadora e diferente. Era o pintor da moda, e além de retratar Bethania, Gal, Gisela Amaral e a Rainha Elizabeth II, ainda era amigo do peito de Salvador Dali .
Também trabalhou como ator de cinema, na Itália, levado por Norma Bengell.
A década de 60 nos levou a fazer parte de todos os lugares diferentes do Rio e também viajar para a Europa numa época de ditadura militar, pra onde fui com meu ex-marido exilado e hospedei todos esses amigos maravilhosos na minha casa, como o Jasmin, os escritores de teatro, Antonio Bivar e José Vicente que, pra meu orgulho, escreveram peças lá na minha casa.
A última vez que estive com o Jasmin foi em 1991! É... A vida passa assim, sem pedir licença e nos afasta sem explicações. Fui visita-lo, com minha irmã, na ilha de Itamaracá, onde ele tinha um restaurante.
Nunca mais soube dele até chegar a notícia de sua morte.
Que Deus o tenha, num lugar delicado e florido como os seus quadros, o cheiro do seu nome e a beleza do seu ser.
