Jornal do Brasil

Quarta-feira, 10 de Abril de 2013

Maria Lucia Dahl

A Lagoa ao contrário

Jornal do BrasilMaria Lucia Dahl

Ontem foi a estreia do espertíssimo site da Gogóia, figurinista da TV Globo, que teve a brilhante ideia de ensinar, através dele, tudo o que se pode fazer em matéria de moda.

Se você  está com uma roupa estampada, por exemplo, e quer saber com qual das cores combinar o sapato e a bolsa, acesse o BR Confidencial, onde se pode também ter ideias sobre novas maquiagens ou até as antigas que voltaram, fazendo furor novamente, como um tipo de moda Twiggy de pintar os olhos, ou colocar cílios postiços, tudo o que usei quando era jovem.

Achei  um negócio super esperto, bem a cara da Gogóia.

Agora não se precisa mais perguntar: “Com que roupa, eu vou, ao samba que você me convidou?”. Pergunta a Gogóia.

E para comemorar a estreia do site estava a Globo inteira, atores e equipes no salão Miranda do Shopping Lagoon, onde fui pela primeira vez e achei aquele vista “ao contrário” da Lagoa, uma visão super interessante, que age dentro da gente assim como um quebra-cabeças, já que desde pequena me acostumei a vê-la do lado de lá. Essa vista ao contrário fazia todo mundo olhar pra ela como se estivéssemos numa outra cidade e tomar champanhe, o que confundia mais as nossas cabeças, até começar o show da Adriana Calcanhotto, vestida com uma roupa, inventada pela figurinista Marilia Carneiro, minha irmã, que lembrava um smoking preto mas com colares compridos de pérolas desenhadas que Adriana trouxe do Oriente.

Adriana cantou seu repertório absolutamente pessoal com rimas e ideias diferentes de tudo, o que me cativou nos anos 80, quando a vi em Porto Alegre, pela primeira vez, enquanto eu atuava na peça “Trair e coçar é só começar”, do Marcos Caruso, quando viajamos do Oiapoque ao Chuí, onde também fiquei amiga da Gogóia, que fazia a produção da peça.

Convidei imediatamente Adriana para vir pro Rio para que fosse lançada aqui e no Brasil inteiro, o que aconteceu rapidinho, primeiro no Teatro Rival, pra onde minha irmã e eu levamos todos os amigos e até nossas empregadas com medo do teatro estar vazio por causa de uma cantora desconhecida, que logo logo lotou a boate Mistura Fina, do meu amigo Pedro Paulo, onde foi realmente lançada, num sucesso imediato que fazia lotar  a casa com todas as pessoas engraçadas e inteligentes da época que voltavam sempre para ver o mesmo show, o qual convidei Gogóia pra trabalhar comigo também .

Muito saudosa aquela época. Foi o que me prendeu, no início, à profissão de atriz: as equipes e as viagens. Viagens estas que continuam fazendo parte das nossas cabeças, e equipes que se tornaram amigos para sempre, mesmo que não nos vejamos muito, mas habitando nossos corações e mentes na certeza de que podemos contar eternamente com eles.

Pensei nisso, quando Adriana terminou o show cantando “Cariocas” ao mesmo tempo em que a enorme janela de vidro se abre mostrando a cidade iluminada na “Lagoa ao contrário”.

 

Tags: coluna, dahl, lúcia, Maria, sexta

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