Jornal do Brasil

Quinta-feira, 11 de Abril de 2013

Maria Lucia Dahl

Uma viagem inesquecível à Capadócia

Jornal do BrasilMaria Lucia Dahl

Fui com meu companheiro pegar um avião pra Capadócia. Antes, demos um passeio de carro por Istambul, vendo as muralhas de pedras que protegiam a cidade desde a sua fundação como Império Romano, no século V, e destruídas pelos otomanos em 1453, sendo restauradas desde 1980 com seu aspecto original, cheias de flores em suas paredes e no chão, formando quadros de cores delicadas e desenhos surpreendentes.

Nessa época, Istambul se chamava Constantinopla por causa de seu Imperador, Constantino, o Grande, mas passou a ser conhecida como Istambul depois que perguntaram a um cidadão que passava, por acaso: “Você está indo pra onde?”. E ele respondeu: “Istanpoli”, o que quer dizer: “Para a cidade”. Desde então ela passou a se chamar “Istambul” e não mais Constantinopla.

A Capadócia é conhecida como Cidade das Chaminés, por que o seu terreno (de três milhões de anos), é cheio de torres naturais espalhadas por ele, que foram transformadas numa espécie de pombais gigantescos, com janelinhas mínimas e construções dentro delas feitas para esconder os cristãos dos devotos de outras religiões que os perseguiam. Uma espécie de “aparelhos”, como a gente chamava, aqui no Brasil, os esconderijos dos comunistas, na época da ditadura e do Movimento Estudantil. 

Só que os “aparelhos’ da Capadócia eram cidades subterrâneas imensas, com 12 andares construídos dentro da pedra, com escadas, um teto muito baixo, (onde, por causa dele,  tinha-se que andar agachado), vários poços de ventilação, cozinha, salas, quartos, lugares para os animais e 100 metros de profundidade, tudo isso  com vista para o vulcão Argeus, de 4000 metros de altura e uma neve eterna em cima dele.

Os cristãos que fugiram para a Capadócia também se escondiam em igrejas, no século IV DC., como na Igreja de S. Paulo, da Maçã, da Serpente e a de Santo Onofre, que segundo a história, era hermafrodita, o que é mostrado num afresco, coisa que eu nunca ouvira falar...

Passamos pelo “Vale Mágico” ou “Vale da Imaginação”, cujo conjunto de “esculturas”  naturais formadas pelas erosões, fazem com que uma pessoa olhando a mesma coisa que outra, veja tudo diferente, conforme as suas interpretações.

Também vimos os mercados cheios de lojas com tapetes, joias e tudo o que de mais bonito se possa imaginar, além dos cavalos árabes

Depois disso tudo, pegamos o balão que leva de 12 a 20 pessoas debaixo deles, onde se tem que entrar no colo de algum guia, por falta de portas por causa da segurança.

Ao todo, nesse dia, eram uns oitenta balões com pessoas de todas as nacionalidades falando todas as línguas e se enturmando pra aproveitarem, juntos, aquela visão mágica.

E depois de tudo isso, fomos ainda  ver um show que começa com a dança sagrada dos dervisches e acaba numa ousadíssima dança do ventre.

Não dá pra botar defeito.

A Capadócia é inacreditável sob todos os pontos de vista, que, aliás, são milhares!

 

 

 

 

Tags: coluna, dahl, lúcia, Maria, sexta

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