Jornal do Brasil

Quinta-feira, 11 de Abril de 2013

Maria Lucia Dahl

Comemorando a vitória de Obama em Istambul

Jornal do BrasilMaria Lucia Dahl

Há doze anos não viajava de avião para longas distâncias, muito menos para a Turquia, durante doze horas, sem contar a escala no aeroporto de  Fiumicino, em Roma. Um pouco puxado, porque as cadeiras não dedicavam muito conforto aos passageiros, e vi atá um rapaz dormindo no chão, encolhido como um bebê, debaixo da sua cadeira e a do seu vizinho. 

Saí com meu companheiro do Rio, convidados para um casamento em Istambul, que foi cancelado mas, por ter comprado as passagens, ele resolveu viajar assim mesmo comigo, mesmo sem casamento, e na época perigosa da Sandy - que era tão certinha ao lado do irmão, Junior, cantando músicas inocentes com sua vozinha infantil, até mudar tudo, passar a cantar e a dançar sozinha até se tornar um furacão! Se era a fama mais do que internacional, mas inter-planetária, o que ela queria, conseguiu legal. Assistimos a suas  notícias vindas de Nova York, na TV do avião, o que me deixou meio nervosa olhando o Times Square vazio, as lojas e casas fechadas, com o furacão dançando e cantando por cima delas. Seria este o fim do mundo de que tanto se fala, ou um happy end com o show da Sandy? Mas, chegando a Istambul, percebemos que, realmente, não era nada, mas apenas uma forma da Sandy de chamar atenção.

Fiquei deslumbrada com a beleza delicada da cidade, com suas mulheres inesperadamente elegantes com suas calças compridas muito justas, mostrando os seus corpos magros, suas botas de couro fashion e seus véus cobrindo o rosto ou parte dele.

Também me deslumbrou a limpeza do chão, que só exibia muitas guimbas de cigarro em vez de lixo. Também não existe nenhuma pichação em nenhum ponto da cidade. E o que talvez mais me tenha surpreendido: as lojas abertas com suas vitrines exposta com tapetes divinos, mesas de camelôs cheias de bijouterias expostas sem ninguém tomando conta por que seus donos foram dormir.

Então perguntei ao nosso guia, como  era possível ninguém roubar nada na cidade, e ele me respondeu: “Por que roubar e pecado.”

Nosso hotel chamava-se The House, e ficava num lugar maravilhoso, cheio de barzinhos, com uma iluminação delicada, pessoas passeando na praça ou sentadas nos bares bebendo e fumando narguile, numa paz absolutamente inacreditável pra um pais perto de outros eternamente em guerra. Era o nosso Baixo Istambul.

No dia seguinte, fomos visitar as mesquitas esplendorosas, construídas em 325 d.c. ao longo do Bosforo, e suas casas de arquitetura de origem muçulmana misturadas com outras de madeira, dando para o rio até o “Chifre de Ouro”, ou seja,  a curva no final do rio. Me apaixonei pela Turquia, onde jamais tinha pensado visitar. Então nos livramos da Sandy, que se mancou do mico que estava pagando, e aí, quando tudo parecia calmo, começaram as eleições com Romney quase empatado com Obama, me deixando nervosa de novo. Mas cada vez que isso acontecia, eu pensava: “Vou passear no Bosforo enquanto Obama não vem.”

E foi no Baixo Istambul que comemoramos a sua vitória, tomando vinho e cheirando a fumaça dos narguiles.

Tags: Artigo, coluna, istambul, JB, maria lucia dahl

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