Jornal do Brasil

Quinta-feira, 11 de Abril de 2013

Maria Lucia Dahl

É a primeira vez que uma novela faz tanto sucesso entre a classe alta

Jornal do BrasilMaria Lucia Dahl

Hoje as pessoas são viciadas em novelas, deixando os melhores restaurantes do Rio vazios durante o seu horário. Antigamente isso não acontecia. As novelas eram mais populares. Hoje, até os socialites se deslumbram com os atores, se algum deles aparecer no meio deles.

Mas é a primeira vez que vejo uma como essa, Avenida Brasil, fazer tanto sucesso com a classe alta, a ponto de tirá-la dos restaurantes mais caros e chiques do Rio deixando-os vazios no seu horário. Foi uma volta legal que o Brasil deu, a de não existir programas televisivos para ricos ou para pobres conforme o gosto de cada um, pois o brasileiro é uma mistura de culturas e humor e o João Emanuel Carneiro, autor da novela, se deu tão bem, por que  acho que fez questão de modernizar o convencional calcando em cima dele e transformando-o em moderno.

Não posso falar de novelas por que não sou viciada nelas a ponto de seguir todo dia o seu desenrolar. Prefiro variar de programas e sair de casa pra jantar, por exemplo.

Por isso cheguei na Osteria dell´Angolo, sexta-feira passada, último capítulo de Avenida Brasil, achando que ia ter que esperar uma mesa, quando, pra meu espanto, encontrei o maitre, chateado  pela faltas de clientes, que ocupavam apenas duas mesas.  Acredito que os bares mais populares, com TV, estivessem mais cheios, pois a volta que as classes sociais deram não é generalizada e cada um continua com o seu vício, mais ou menos declarado,  fora do inconsciente.

Essa volta só não houve ainda no cinema brasileiro. Um filme brasileiro pode, sim, fazer muito sucesso com o mesmo tipo de público, mas não é comum, como o sucesso  generalizado dos filmes americanos, por exemplo, e ouço as pessoas perguntando: “mas é filme brasileiro?” quando sugiro ir a algum cinema. Existe um certo preconceito que o filme  seja chato e arrastado, que seja brega. Já para mim, quando são bons, acho-os maravilhosos, assim como os documentários em preto e branco, mostrando diferentes épocas da arte brasileira, como “Tropicália”.

Mas não  sou  viciada em nada, a não ser em coca-cola, talvez, e jornais da TV que me acompanham desde que eu acordo e tomo o meu café olhando as desgraças que hoje, por exemplo, se excederam e larguei-a  falando sozinha, depois de assistir às torturas de cachorros numa pet-shop, que era o que fechava o programa, depois de  comentários seguidos sobre  duas senhoras hospitalizadas, que morreram, uma depois de ter tomado sopa na veia, e a outra, café com leite.

Aí vem o mensalão, que muda todo dia de resultado. Um dia está todo mundo condenado, no dia seguinte estão livres por causa de algum fato que ainda não tinha vindo à tona, e por isso não foi julgado. Os chefes de quadrilha variam também e um dia um deles é um monstro desgraçado, no outro, foi tudo engano e ele virou um fofo. Mas agora, com os votos do ministro Joaquim Barbosa, acho, penso, que a coisa tenha se estabelecido se o script da novela tiver se modernizado como a do Emanuel Carneiro, se não, ainda vamos ter que aturar as novelas políticas antigas, que só mudam os atores e se repetem com as mesmas tramas desde que nasci.

 

 

 

Tags: coluna, dahl, lúcia, Maria, novelas

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