Jornal do Brasil

Quinta-feira, 11 de Abril de 2013

Maria Lucia Dahl

Istambul

Jornal do BrasilMaria Lucia Dahl

Tudo começou quando um amigo do meu companheiro convidou-o para o casamento de seu filho em Istambul e, é claro, ele me incluiu nessa. Fiquei espantada, pois na minha infância Istambul ainda se chamava Constantinopla e a turma da minha irmã cantava junto com um disco que sempre colocava na vitrola : “Istambul not Constantinopla. Now is Istambul not Constantinopla”...E fiquei pensando quem diria que eu, Maria Lucia, ainda fosse parar em Istambul, not Constantinopla, mil anos depois! 

E o mais interessante, é que a minha turma conhecia a música, mas ninguém, que eu saiba, tinha viajado pra essas bandas. Todos os meus amigos iam pra Europa ou Estados Unidos toda vez que pensavam em fazer uma viagem.

Tive até um namorado que morava em Israel. Queria que eu fosse morar lá com ele mas não rolou por causa da minha filha, que ainda era pequena, e tudo me parecia muito longe e quase impossível.

Hoje em dia, o quente é viajar pro Oriente, e quando eu conto que vou pra Turquia, todas as pessoas me dizem que já estiveram lá, que é maravilhosa e que eu vou adorar. Ninguém se espanta mais com o Oriente, uma viagem tão banal como se eu estivesse contando que ia passar uns dias em Niterói.

E olha que, hoje em dia, eu não me comunico mais só com amigos, mas com pessoas nunca vistas que encontro até no meio da rua. Então começo a lembrar da minha avó que dizia: “Cada bonde que eu pego é um amigo que eu faço”. Eu ficava impressionada. O que provocava esse tipo de conversa? Hoje em dia, qualquer coisa, pra mim, é pretexto pra conversar.

E às vezes pego até telefones e e-mails dessas pessoas que me encontraram por alguma coincidência do destino, como quando estava dentro do carro do meu companheiro na fila da exposição da Art-Rio, no Porto, quando duas senhoras aproveitaram e nos pediram uma carona, pois também estavam indo pro mesmo lugar. Então, uma delas perguntou se eu era eu, Maria Lucia, atriz, etc. Disse que era, e ela me falou que acompanha tudo na televisão e contou que tinha ficado amiga de uma moça que também era atriz , que se casou há pouco tempo, com um inglês e se mudou pra Espanha, mas que o nome dela tinha lhe fugido da cabeça. Fiquei absolutamente pasma, lembrando, que depois de anos, tinha acabado de receber, naquela manhã, um e-mail de uma amiga dizendo que tinha se casado com um inglês e ido morar na Espanha. Era coincidência demais! Tudo no mesmo dia! Então perguntei: “O nome dela, por acaso, é Lu Mendonça?”. E elas me responderam que sim.

Contei que tinha trabalhado com a Lú, na peça “Trair e coçar é só começar” há milênios atrás e que tínhamos viajado juntas o Brasil inteiro por causa dela. As mulheres, ainda por cima, me contaram que assistiram à peça.

Então falei de Istambul e as duas contaram que estiveram lá e que era tudo muito lindo e imperdível. Deram dicas valiosas da Turquia e nos deixaram seus telefones pra eu dar pra Lú quando ela chegasse.

O que será uma coincidência? O que quererá dizer? Faz parte do destino de cada um? Ou é apenas um fato inesperado que nos pega de surpresa, podendo até mudar a nossa vida?

Tags: coluna, dahl, lúcia, Maria, sexta

Compartilhe:

Tweet

Postar um comentário

Faça login ou assine para comentar.