Turista no Rio
Esse fim de semana resolvi passar como se fosse uma turista no Rio de Janeiro.
Sábado fui ao show do Pedro Erthal, na Cobal de Botafogo. O Pedro sempre me surpreende. É um cantor maravilhoso e cheio de humor, um super ator e escolhe o seu repertório da maneira mais inesperada. Dessa vez ele me surpreendeu com sua nova banda: Brega Pop Show que toca todas as músicas bregas, que ficam bonitas e muito engraçadas. O Pedro Erthal precisa ser lançado como um super cantor inteligente e cheio de humor. Vou até tomar minhas providencias pra isso, já que acho um desperdício ele ainda não ser conhecido nem fazer o sucesso merecido, pelo fato de ainda não ter sido lançado devidamente.
Vi também a exposição do pintor Luiz Aquila, no Paço Imperial, um casamento perfeito de uma pintura informal, dentro de uma arquitetura formal, em estilo colonial de rara beleza na Praça XV, onde morou a família imperial, desde 1808, naquele palácio de extremo bom gosto em frente ao mar.
Domingo, fui com meu amigo à Feira Internacional de Arte Contemporânea do Rio de Janeiro , e também fiquei sem saber se olhava pra fora ou pra dentro da exposição, magníficamente bem instalada nos armazéns do Píer Mauá, em frente à Ilha Fiscal , que acena, esplendorosa, debaixo da Ponte Rio-Niterói.
Sempre fui apaixonada pelo Píer Mauá, onde numa certa época resolveram utilizar alguns de seus armazéns como local de danças e shows, e cheguei mesmo a ver uma peça, da qual não me lembro o nome, onde os atores chegavam de barco, desciam dele ali pertinho do público e transformavam o Píer no palco onde representavam na praça a céu aberto, rodeada de barzinhos, onde se podia sentar e tomar cerveja
Sempre ouvi falar que iriam transformar o Píer, há tanto tempo abandonado, num local de cultura. E hoje pude ver que, se realmente não me engano, chegou a hora de aproveita-lo como o de Buenos Aires, cheios de restaurantes e festas. Mas o daqui é ainda mais estonteante, como tudo o que se faz no Rio de Janeiro, misturando cultura e paisagem que cada vez mais confirmam seu apelido de Cidade Maravilhosa, que além de ser maravilhosa está também ficando muito mais civilizada com exposições como essa da Art-Rio que inclui várias galerias da cidade e ainda providencia transportes para elas como os ônibus circulares Art-Rio, que deixam as pessoas nos locais escolhidos.
E o melhor de tudo isso é que os interessados nessa cultura mistura todas as classes sociais, que formam filas imensas e se enturmam entre si, comentando o que viram ou o que verão, discutindo sobre o armazém dos figurativos, dos modernos, das instalações, dos vídeos, das esculturas que se mexem e andam e até da música de um comercial da TIM com aqueles homens azuis dançando e cantando enquanto o público pode também comer nos restaurantes enquanto os assiste.
As exposições de arte nos armazéns do Píer vão de Picasso, Salvador Dali, Volpi, Pancetti, Brecheret, Fernand Leger, Botero, Cícero Dias, Iberê Camargo, Volpi, Wesley Lee, Hélio Oiticica e os artistas de instalações como Vicky Muniz que usa flores, madeiras e outros materiais naturais na sua arte, o pintor holandês Theo Jansen, com o seu quadro intitulado Bestias de la playa, Tom Friedman e muitos outros incríveis que eu não conhecia. É impressionante como se pode observar a natureza de tantos ângulos diferentes e jamais pensados fazendo-nos perceber que tudo pode se transformar em arte dependendo do ponto de vista.
Voltei para casa com uma sensação agradável, fazendo-me lembrar do Agildo Ribeiro que dizia que quando era criança e perguntavam o que ele queria ser na vida, quando crescesse, respondia imediatamente: turista.
