Jornal do Brasil

Terça-feira, 26 de Setembro de 2017

Colunistas - Juventude de Fé

Eleição do Conjuve: golpe dentro do golpe

Jornal do BrasilWalmyr Junior

A reedição do decreto de criação do Conselho Nacional de Juventude, feita pelo governo de Miguel Temer, foi encarada pela ampla maioria dos movimentos de juventude com o fim do Conjuve. A perda da autonomia de atuação e convocação da eleição por parte da sociedade civil foi considerada como um ‘’golpe dentro do golpe’’.

As maiorias das entidades da sociedade civil que compunham a gestão passada entenderam por não participar, e consequentemente, não legitimar tal processo eleitoral. Afinal, o que representa disputar um conselho consultivo de um governo ilegítimo e imerso em contradições políticas?

O novo decreto procurou também ''regionalizar'' a representação do conselho do Nacional da juventude, estabelecendo que 50% da sociedade entidades da sociedade civil tenham caráter municipal, estadual e regional.

O resultado, absolutamente esperado, foi a eleição de diversas entidades cartoriais, sem representatividade, algumas até sem relação com a política de juventude, além situações grotescas a exemplo; a dupla participação da Fundação Ulysses Guimarães (PMDB), eleita para representar a região nordeste e sudeste, a entrada da Maçonaria, pelo eixo Território e Mobilidade e a Diversidade Tucana, eleita como titular para cadeira LGBT.

A única surpresa que se desdobra desse processo eleitoral é presença de importantes entidades que denunciam e contrapõem-se ao golpe e às suas agendas de retrocessos, na composição dessa nova gestão.

* Walmyr Junior é morador de Marcílio Dias, no conjunto de favelas da Maré, é professor, membro do MNU e do Coletivo Enegrecer. Atua como Conselheiro Nacional de Juventude (Conjuve). Integra a Pastoral Universitária da PUC-Rio. Representou a sociedade civil no encontro com o Papa Francisco no Theatro Municipal, durante a JMJ.

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