Jornal do Brasil

Quinta-feira, 23 de Novembro de 2017

Colunistas - Juventude de Fé

Breves reflexões sobre a encíclica do Papa Francisco - Laudato Si

Jornal do BrasilWalmyr Junior

Vamos ao longo desse mês trazer alguns apontamentos sobre a ausência de uma prática social que seja pautada nas relações socioambientais. Esse conceito, muito enfatizado pelo Papa Francisco, nos leva a mergulhar sobre as contradições praticadas pela humanidade naquilo que tange o cuidado do planeta terra, nossa casa comum.

Dito isto vemos que a crise sistêmica de representatividades, valores e de identidades levaram a humanidade a perder suas principais referencias coletivas. A integralidade do ser humano e seus encontros (consigo mesmo, com o outro, com o transcendente, com a sociedade e com o meio ambiente) são afetados de modo que o individualismo e o egoísmo passam a ser o centro das relações humanas. O povo pobre, excluído da vida em sociedade por não estar na dinâmica do ter e do poder, se une a nossa terra sofrida e “geme e sofre as dores do parto” (Rm 8,22).

O abandono dos mais empobrecidos reflete a fragilidade em que a humanidade se encontra. Esse descuido com o outro não é fruto do acaso. Ele parte de uma práxis antropocêntrica e relativista que se prende a uma lógica de consumo piramidal, capitalista, que exclui aqueles que não se adaptam às respectivas formas de consumo. Estando o pobre privado de uma renda per capita para fazer as disputas hegemônicas, encontra-se paulatinamente suprimido e esquecido.

É para apontar as contradições humanas que Laudato Si surge como uma proposta que problematiza a crise socioambiental em que vivemos, indica os erros das relações humanas com o meio ambiente e caracteriza a mãe terra como casa comum de toda a humanidade, ou seja, do pobre e do rico. 

As reflexões que se seguirão ao longo desse mês tendem a iluminar, a partir da encíclica apostólica, a narrativa de construção de políticas e pautar a garantia do direito à vida e dignidade da pessoa humana. 

* Walmyr Junior é morador de Marcílio Dias, no conjunto de favelas da Maré, é professor, membro do MNU e do Coletivo Enegrecer. Atua como Conselheiro Nacional de Juventude (Conjuve). Integra a Pastoral Universitária da PUC-Rio. Representou a sociedade civil no encontro com o Papa Francisco no Theatro Municipal, durante a JMJ.

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