Jornal do Brasil

Quinta-feira, 29 de Junho de 2017

Juventude de Fé

A cada 3 dias matam um policial no Rio de Janeiro

Walmyr Junior*

Expostos a violência urbana, a frota da Policia Militar do Rio perde mais um combatente. Samuel Oliveira da Silva, soldado da PM, lotado na UPP (Unidade de Polícia Pacificadora) da Rocinha, foi baleado quando passava de moto pela linha vermelha nesse ultimo final de semana. Infelizmente, Samuel entra na estatística sendo o 38º policial morto somente esse ano.

Partindo do pressuposto de que o policial se tornou um alvo e uma vítima da violência, fico a pensar aonde vamos chegar. O estado de calamidade pública é real. A polícia Militar não tem mais forças políticas de contenção da criminalização dos territórios e barbárie está instaurada. Assim como o policial, o cidadão de bem está literalmente a margem de uma possível segurança neste contexto em que vivemos.

Entendendo o militar sempre como um ser humano, é bom lembrar que ele não é um individuo solitário, apático e sem vida social. Sejamos coerentes, o policial estuda, joga bola, sai durante o dia e a noite nos seus momentos de folga e lazer. Esse cidadão tem esposa e filhos, mãe e pai, irmãos e primos. O PM possui família e ela sofre junto com ele toda sorte e revés da insegurança e do medo cotidiano.

Com pesar vimos que, dos policiais assassinados esse ano, 23 deles estavam de folga quando foram atingidos e sete, em serviço. Entre as vítimas também há cinco militares reformados.

Infelizmente a comoção popular não se entristece ao ver o numero descabido de agentes mortos. Sabemos que o policial que morre brutalmente, fruto da violência instaurada pelo modelo de segurança pública vigente, é o mesmo policial que entra na favela pra matar a juventude negra, é o mesmo que mata o sem terra, que espanca o professor nos atos e manifestações, agride estudantes e operários que lutam para garantir seus direitos básicos, previstos na constituição brasileira.

O algoz Policial é encarado como inimigo de classe e não vitima de um sistema. Mas ele também é refém de um Estado falido que não garante condições humanas de sobrevivência e exercício da função do servidor policial.

* Walmyr Junior é morador de Marcílio Dias, no conjunto de favelas da Maré, é professor, membro do MNU e do Coletivo Enegrecer. Atua como Conselheiro Nacional de Juventude (Conjuve). Integra a Pastoral Universitária da PUC-Rio. Representou a sociedade civil no encontro com o Papa Francisco no Theatro Municipal, durante a JMJ

Tags: Artigo, Direitos Humanos, Rio de Janeiro, Sociedade, coluna, crime, juventude de fé, política, segurança pública

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