Jornal do Brasil

Sábado, 24 de Junho de 2017

Juventude de Fé

Campanha da Fraternidade 2017: biomas brasileiros e a defesa da vida

Walmyr Junior 

O bioma é um sistema de organização socioambiental formado por todos os seres vivos de uma determinada região, com uma vegetação similar, com uniformidade climática e com uma história comum em sua formação. A extensão territorial do Brasil comporta uma diversidade biológica com climas e solos muito variados. Por isso sua diversidade biológica e a relação com a sociedade devem ser constantemente problematizadas, até por que, com a variedade de biomas que temos em nosso país, os problemas que surgem em torno deles merecem nossa atenção e apresentação de possíveis soluções para a crise ecológica que vivemos. 

É esse o papel que a Campanha da Fraternidade quer cumprir. Trazer a tona à diversidade da nossa fauna e flora, assim como a relação com os espaços de sociabilidade que o ‘homem’ cria com esse meio. Com o tema “Fraternidade: biomas brasileiros e a defesa da vida”, a CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) quer dar ênfase as recorrentes problemáticas e impactos socioambientais à diversidade de cada bioma, promover relações respeitosas com a vida, o meio ambiente e a cultura dos povos que vivem nesses biomas. 

Em mensagem para a Campanha da Fraternidade, o Papa Francisco, deixou elucidadas as demandas que temos em torno deste tempo: “Este é, precisamente, um dos maiores desafios em todas as partes da terra, até porque as degradações do ambiente são sempre acompanhadas pelas injustiças sociais”.

Francisco destaca que o desafio do cuidado da casa comum deve ser um compromisso global“pelo qual toda a humanidade passa”.  Sabemos que os povos originários de cada bioma ou que tradicionalmente vivem neles, oferecem um exemplo contundente de relação e convivência com o meio ambiente.  “É necessário conhecer e aprender com esses povos e suas relações com a natureza. Assim, será possível encontrar um modelo de sustentabilidade que possa ser uma alternativa ao afã desenfreado pelo lucro que exaure os recursos naturais e agride a dignidade dos pobres”, disse o Papa.

Não podemos assistir de forma passiva à destruição dos ecossistemas existentes nos biomas, esse assunto deve estar na ordem do dia. Nós temos que ver as possibilidades da mudança urgente dos costumes, do padrão de consumo, do descarte do nosso lixo.  Convoco aos leitores dessa coluna, para fazerem uma profunda reflexão que gere soluções individuais e/ou comunitárias/coletivas. 

A campanha da fraternidade se encerra com o período litúrgico da quaresma, porém somos chamados a problematizar a todo instante esse tema tão candente. Falar de biomas e defesa da vida é pensar sobre a defesa da nossa própria vida em contraponto com a necessidade que temos de conviver em um habitat saudável e seguro, para nós e para o meio ambiente. 

*Walmyr Junior é morador de Marcílio Dias, no conjunto de favelas da Maré, é professor, membro do MNU e do Coletivo Enegrecer. Atua como Conselheiro Nacional de Juventude (Conjuve). Integra a Pastoral Universitária da PUC-Rio. Representou a sociedade civil no encontro com o Papa Francisco no Theatro Municipal, durante a JMJ

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