Jornal do Brasil

Sexta-feira, 17 de Novembro de 2017

Colunistas - Juventude de Fé

#UERJResiste

Jornal do BrasilWalmyr Junior 

A Uerj (Universidade do Estado do Rio de Janeiro), com os seus mais de 42 mil alunos, está sob a ameaça de fechar as portas. O quadro é gravíssimo. O atraso nos repasses do governo estadual já supera R$ 350 milhões. Os servidores ainda não receberam os salários de novembro, dezembro e o 13%. A volta às aulas, prevista para terça-feira (17), foi adiada para o dia 23, o repasse de bolsas e auxílios dos estudantes foi cortado.

A pior parte da crise na Universidade se estende a Faculdade de Ciências Médicas (FCM). Experimentos científicos com ratos foram reduzidos em 50% por falta de ração, os laboratórios sofrem com problemas estruturais. Com o fim do contrato com a empresa terceirizada que recolhia o lixo, os sacos de descarte hospitalar se acumulam nos corredores da FCM, pondo em risco a saúde de alunos e professores. Sem falar das paralisações em diversos serviços prestados pelo Hospital Pedro Ernesto e na policlínica Piquet Carneiro.

Mesmo diante da crise econômica que a Uerj passa, ela alcançou no último ano o quinto lugar entre as melhores universidades brasileiras e a 11ª melhor universidade da América Latina segundo o ranking “Best Global Universities 2016”. 

Diante do cenário desastroso das finanças da universidade, em contraponto com a excelência acadêmica da mesma o que explica uma situação como essa?

Primeiro é importante destacar que o sucateamento dos equipamentos públicos do Estado é uma marca registrada do governo do Estado. Tiramos como exemplo o sucateamento das unidades de educação de Ensino Médio, que enfrentou um longo período de greve e manifestações em defesa do profissional da educação e das Instituições de Ensino. A segurança pública é outro exemplo desastroso, onde o Rio de Janeiro é o Estado que tem a polícia que mais mata e mais morre do país. 

Outro ponto salutar é a estratégia de piorar para privatizar. De forma escusa, ao lado dos barões da educação, a Uerj sorrateiramente vai sendo prejudicada para num futuro próximo ser leiloada. Está nítido os interesses em privatizar a Uezo (Universidade Estadual da Zona Oeste), Uenf (Universidade Estadual do Norte Fluminense) e agora a Uerj.

A empresa que ganhou a licitação para administrar o bandejão (Restaurante Universitário) do campus do Maracanã deixou de prestar o serviço, pois estava sem receber desde o inicio do contrato em setembro. O não funcionamento do bandejão prejudica diretamente a permanência do estudante na universidade, pois sem alimentação barata, um estudante pobre não terá condições de garantir a manutenção dos estudos porque não terá dinheiro para comprar comida em um restaurante caro no entorno da Uerj. 

O ‘piorar’ se representa enfaticamente no corte de 30% do orçamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj), alinhado as ações à PEC 55 que estabelece o congelamento em 20 anos dos recursos para saúde e educação, apresentadas pelo governo Temer. Outro ponto importante está em torno de a Uerj ser a universidade mais popular do país e a primeira instituição de ensino superior a implantar uma política de cotas raciais no Brasil.

A crise na Uerj é uma ameaça à formação de gerações de jovens e adultos que buscam o acesso ao ensino superior. Coloca em risco toda uma bagagem de conhecimentos e pesquisas que se desenvolvem nos seus campus.  Um possível fechamento da Uerj é um crime. 

Contra a privatização da Uerj resistiremos. 

* Walmyr Junior é morador de Marcílio Dias, no conjunto de favelas da Maré, é professor, membro do MNU e do Coletivo Enegrecer. Atua como Conselheiro Nacional de Juventude (Conjuve). Integra a Pastoral Universitária da PUC-Rio. Representou a sociedade civil no encontro com o Papa Francisco no Theatro Municipal, durante a JMJ

Tags: Artigo, Fã, Uerj, juventude, júnior, texto, walmyr

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