Jornal do Brasil

Sábado, 30 de Agosto de 2014

Juventude de Fé

Padrão brasileiro na Copa 

Walmyr Júnior *

A Copa do Mundo no Brasil vem sendo considerada pelos jornais estrangeiros a melhor Copa dos últimos tempos. Isso não se dá somente pela infraestrutura que vem favorecendo o espetáculo do século no país, mas por conta da real identidade acolhedora e respeitosa da população brasileira. 

Na ultima semana, três casos me chamaram muito atenção que nos remete a perceber quem são os brasileiros do padrão Brasil de sociedade. O primeiro deles foi o ato do funcionário público Osvaldo Ruz Baldi que tirou o filho de uma manifestação contra a Copa em São Paulo por ser contra o uso de máscaras em protestos.

A atitude deste pai corresponde ao desejo de transparência e compromisso com a transformação da sociedade, onde em momento algum se colocou contra os protestos e contra as manifestações. Mas sua atitude foi de perceber que a luta pela democracia se dá pela participação do povo. Osvaldo declarou em diversas entrevistas que aqueles que desejam mudar a sociedade deve botar a cara na rua e assumir as lutas pelas mudanças e não se esconder em uma mascara para danificar o patrimônio público e privado nas ruas do nosso país

Outro acontecimento que chama a atenção desta breve reflexão está ligado à falta de ingressos para ver os jogos da Copa nos estádios de futebol. A Fifa lançou semana passada a venda de novos ingressos para os jogos e os brasileiros que fizeram vigília durante a madrugada não conseguiram efetuar a compra dos ingressos vendidos. 

A resposta da população está nas milhares de ruas, avenidas e residências enfeitadas de verde e amarelo, além da lotação máxima dos bares e restaurantes que transmitiram os jogos do Brasil e das outras seleções. Sabemos que os altos preços da entrada nos estádios excluem a população mais carente do país e o padrão Fifa quer mudar a cultura do futebol no Brasil. Porém a festa brasileira é nas ruas, não no consumo de uma ‘venda’ da cultura futebolística. 

Essa cultura ligada diretamente ao trabalhador e às classes mais populares, que se matam de trabalhar durante a semana e, aos domingos, vão ver o seu clube do coração no estádio de futebol. Essa classe social é onde estão os Josés, Franciscos, Marias, Julianas, Pedros, Joãos, etc., que têm um caso de amor e paixão pelo esporte no Brasil

Apesar de ver o futebol do povo agonizando, é preciso repensar o que nós brasileiros entendemos como paixão pelo futebol e não pelos estádios. Pensar também na importância do futebol assistido de pé sem a cadeira numerada. O brasileiro apaixonado pelo futebol assiste ao jogo do campinho de futebol, na pelada de rua, na quadra do colégio, também assiste ao jogo no barzinho e no churrasco com a família, mostrando que fora dos estádios da Fifa que se faz a festa brasileira.

Sabemos que existe uma classe popular empoderada que conseguiu no aperto das suas finanças comparar ingressos para ver o jogo e sentir no calor e na emoção do estádio de futebol o que meu pai sentia nos bons tempos dos estádios.

 Porém, o que que vimos no último jogo da seleção brasileira, contra a Croácia, é a falta de educação de que quem vai ao estádio do padrão Fifa  só pelo estádio estar se tornando mais caro, mais elitizado e mais branco. Essa é uma classe social que está inconformada em ter que dividir o estádio com o negro e com o pobre, eles não respeita a população, não respeita as famílias brasileiras e não respeitou a presidenta da República. 

Nossa presidenta foi alvejada por palavrões e ofensas em plena Copa do Mundo. A ação vergonhosa dessa classe social, branca e elitizada, se esquece que a atual Presidenta do Brasil foi presa e torturada durante a ditadura militar por defender a democracia nos chamados "anos de chumbo".

Mas a resposta da presidenta não foi manda torturar nem prender nenhum destes hipócritas que a ofenderam, como antigos ditadores fizeram há algumas décadas, mas foi ir aos meios de comunicação mostrar sua indignação com a falta de respeito pelas famílias e pelas crianças que assistiam nas ruas ao jogo do Brasil.

A Copa do Mundo está mostrando quem de verdade é o povo brasileiro. Esse povo que é acolhedor e está fazendo os gringos se apaixonarem mais ainda pelas ruas brasileiras. Para os coxinhas de plantão que são contra a Copa do Mundo, deixo aqui a reflexão de um grande amigo, Yuri Moura, postada por ele nas suas redes sociais: 

 “Fico pensando aqui: alienado é quem torce, por 90 minutos, ao invés de protestar na Copa, ou quem esperou por uma Copa, após uma vida alienada, para protestar?”

* Walmyr Júnior Integra a Pastoral da Juventude da Arquidiocese do Rio de Janeiro, assim como a equipe da Pastoral Universitária Anchieta da PUC-Rio. É membro do Coletivo de Juventude Negra - Enegrecer. Graduado em História pela PUC-RJ e representou a sociedade civil em encontro com o Papa Francisco no Theatro Municipal, durante a JMJ

Tags: coluna, JB, júnior, texto, walmyr

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