Jornal do Brasil

Quarta-feira, 22 de Outubro de 2014

Juventude de Fé

Intolerante, quem não é?

Walmyr Júnior *

Aconteceu ontem na PUC-Rio organizado pelos estudantes de Serviço Social o Seminário: “Intolerante, quem não é?” Dialogar sobre intolerância é uma tarefa árdua e complexa devido as diferentes indagações que a própria palavra e suas derivações trazem consigo. Porém, este diálogo se faz pertinente e necessário quando vivemos em uma sociedade repleta de conceitos e pré-conceitos.

Nossa sociedade, que é constituída de pessoas que diariamente sofrem e praticam intolerância, pessoas que convivem com ideias, convicções e também anseios de participarem e auxiliarem na construção de uma sociedade mais tolerante. Esse mesmo indivíduo anseia também por uma paz, que muitas vezes é encarada como utópica.

Com esse desejo de cultivar a cultura da paz, ontem, 29 de maio, o Seminário “Intolerante, quem não é?” trouxe para o debate as faces e indagações de quem sofre preconceito, além de trazer também as possíveis motivações dos intolerantes. 

O professor e babalorixá Ivanir dos Santos afirmou que o preconceito surge no simbolismo etimológico “Intolerância: ela vem com ignorância”. Falou ainda sobre os determinados exclusivismo religioso: 

“Eu peço respeito a minha religiosidade, o criador não deu permissão exclusiva para falar em nome d’Ele. Não podemos monopolizar o sagrado. Repito, ninguém tem o direito de falar no nome de Deus exclusivamente”, indignou-se Ivanir dos Santos. 

Já Pe. Abel, sacerdote jesuíta e coordenador da Pastoral Universitária da PUC-Rio, abordou a intolerância em contraponto a um suposto medo. Para ele “a questão da intolerância é vergonhosa. É um fruto da palavra insegurança, vejam só: se eu estou firme na minha religião, não tem o porque afrontar a religião dos outros. Temos que fazer uma proposta de diálogo e não uma imposição”, mencionou Pe. José Abel de Souza, sacerdote Jesuíta. 

O evento organizado pela turma do sétimo período do Serviço Social, que trouxe para o debate diversas reflexões relevantes, trouxe além das questões religiosas assuntos como a questão das demarcações das terras indígenas, da homofobia e do racismo. 

O geógrafo e professor Marcelo Afonso Morais alertou que a “a justiça não passa pela igualdade. O que temos que fazer é a diferença, procurando a equidade. Democracia não é paz eterna, pelo menos não aqui nesta terra. Não há democracia sem discussão”.

O Seminário se comprometeu não apenas com o debate, mas principalmente com uma busca de caminhos e possibilidades que transponham a realidade da intolerância. Encerro citando uma frase da Profª Mably Trindade que tratou de citar a cultura de violência que a intolerância reproduz. Para ela “a intolerância e o preconceito são práticas que não ficaram somente no passado. Se por um lado conquistamos direitos, por outro, assistimos a violação de direitos por outras formas de violência. Estamos falando da violência da população LGBT que se alarma a cada dia, o número de homicídios 11,85% em 2012, a maioria são os adolescentes. O Brasil é campeão no ranking de homofobia.”

* Walmyr Júnior Integra a Pastoral da Juventude da Arquidiocese do Rio de Janeiro. É membro do Coletivo de Juventude Negra - Enegrecer. Graduado em História pela PUC-RJ e representou a sociedade civil em encontro com o Papa Francisco no Theatro Municipal, durante a JMJ. 

Tags: coluna, JB, jr, texto, walmyr

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