Jornal do Brasil

Domingo, 31 de Agosto de 2014

Juventude de Fé

Mais um caso de violação de diretos humanos

Walmyr Júnior*

A história mais uma vez comprova a ignorância do sistema hegemônico vigente: mais um negro confundido com um suposto assaltante é preso por ser suspeito de roubo. A população negra à muito tempo passou da condição de ser humano para a condição de sujeito com aparência subversiva. Somos açoitados diariamente pelo preconceito racial que aterrorizou nossos antepassados e que tenta, a cada dia, nos excluir da sociedade.

O caso ator e psicólogo Vinícius Romão de Souza, de 26 anos, no qual foi confundido com um assaltante e preso injustamente, se assemelha ao caso de outros muitos joãos e Marias. A quantidade de acusações comoa da copeira Dalva da Costa Santos, que contou ter se confundido quando identificou Vinícius como o ladrão, se repete a cada vez que o negro é marginalizado somente pelo fato de ser negro.

Me questiono como é possível, que em pleno século 21, o racismo ainda fale tão alto? Como podemos permitir que esse sectarismo racial se faça sentir dessa forma tão cruel, na nossa “dita sociedade democrática de direitos”? Até quando o racismo multifacetado que transpassa género, sexualidade, etnia, classe ou grupo social, falará mais alto que as nosso desejo de viver a igualdade de direitos?

A sucessão de preconceitos foi estampada nos jornais porque um ator, como Vinícius, ou o caso de dois jogadores de futebol, como Tinga e Baloteli, estão envolvidos em uma vida pública e midiática. Triste de quem nunca teve fama está fadado a penar por um direito que lhe é negado.

Mesmo depois de Zumbi dos Palmares, do pugilista Muhammad Ali, dos médicos e cientistas Charles Richard drew (fez descobertas importantes no campo de transfusões sanguíneas no inicio da segunda guerra mundial), Bob Marley, Nelson Mandela, Malcolm X e Martin Luther King Jr, e tantos outros negros que lutaram pela igualdade racial o mundo ainda olha com preconceito para a raça negra.

A nossa luta é luta de Classe. Não existirá Igualdade enquanto houver racismo. A única forma de mudar essa história é denunciando, dando consciência ao povo negro e a própria sociedade, do quão violento tem sido a dessa dicotomia entre a sociedade sectarista e o convívio com a população negra.

Os cabelos do ator foram arrancados, ele tinha um blackpawer, sua identidade se representava naquilo que é belo, que é condizente com a liberdade e leveza da cultura negra. Mais um direito arrancado, e mais uma vez se reproduz o apartheid geracional, étnico-racial e econômico que estamos vivendo no Brasil.

* Walmyr Júnior Integra a Pastoral da Juventude da Arquidiocese do Rio de Janeiro. É membro do Coletivo de Juventude Negra - Enegrecer. Graduado em História pela PUC-RJ e representou a sociedade civil em encontro com o Papa Francisco no Theatro Municipal, durante a JMJ. 

Tags: classe, dicotomia, fama, igualdade, NEGRA, racial

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