Jornal do Brasil

Quarta-feira, 1 de Outubro de 2014

Juventude de Fé

Bandido bom é bandido morto?

Walmyr Jr.*

Essa frase infelizmente foi recorrente nos diversos jornais do país e inúmeras publicações na internet. É em meio a essa dicotomia de valorização da vida de uns e menosprezo da vida dos outros que podemos afirmar que o Brasil não é o país da impunidade. Somos o país da punição! Cabe à uns e outros o direito de definir o destino da vida de quem comete um crime ou um pequeno delito.

A pena de morte não é lei, mas estão a tordo e a direita tirando o direito da nossa juventude viver. Essa declaração atenta contra o estado democrático, já que não há pena de morte no brasil. Entender isso é uma dificuldade para quem não tolera a pobreza caminhando ao lado da riqueza nos espaços públicos e de dinâmica dasociabilidade.

Muitos brasileiros tem orgulho de fazer suas críticas, injúrias e difamações a cerca do que é certo ou errado, sobre o direito de quem vive e de quem morre. Essa dicotomia infelizmente só tem por finalidade corroborar para que os diversos crimes e atrocidades que envolveram a juventude carioca sejam pautados como uma medida instintiva, aonde eu mato ou me defendo por instinto, ou por reação a omissão do Estado.

Somos mesmo atentados ao direito de viver que todo e qualquer indivíduo possuí? Já paramos para perguntar quais são as razões que agentes do crime de fato cometem seu crime? Será mesmo que o indivíduo nasce para ser bandido? Ou ainda que cresce com essa perspectiva de futuro ? Pensar em culpar o cara por que roubou é fácil, difícil é perguntar o porque ele está  roubando.  Será mesmo ele um delinquente imoral? Será ele um jovem obcecado por poder? Será ele um gangster que só quer se usurpar do que o morador da classe média possui? 

Acredito que o problema é mais grave. Sou favorável a uma sociedade sem bandidos. Mas essa mesma sociedade só alcançara essa proeza quando tiver mais escolas, mais postos de saúde, mais moradia, mais lazer e cultura para sua população. De fato nas áreas nobres de nossas cidades encontramos tal favorecimento para a população. O problema é quevivemos ainda no tempo da casa grande e senzala. Onde a senzala é a favela que não tem esses ‘privilegios’. Na favela acartilha que que muitos meninos e meninas seguem é da rebelião. É se rebelar para fugir da escravidão. É optar pela vida fácil do crime. É optar pela vida das drogas. É optar por uma vida sem futuro e sem sonhos.

Nessa perspectiva acredito que tal conjuntura é fruto de um ultraje aos direitos humanos e uma vergonha para um país que se orgulha em ser a sede da Copa do mundo e dos jogos olímpicos, mas não ser envergonha de ser o país da falta da segurabilidade social, da pobreza, do genocídio da juventude negra. Sinto vergonha de fazer parte de uma sociedade programada com a lógica ‘inteligente’que temos no brasil.

A cerca dos comentários sórdidos, sobre os meninos negros da periferia que comentem crimes e são sumariamente executados ou humilhados nas ruas e nas penitenciárias, prefiro entende-los como parte do quebra cabeça chamado Brasil. Aqui, infelizmente está sendo montado pela dicotomia do preconceito e do sectarismo social. No final vão ver que estão montando o quebra cabeça sem a peça da distribuição de renda, que é a peça chave para entender o motivo da ignorância, do privilégio e da exclusão.

 * Walmyr Júnior Integra a Pastoral da Juventude da Arquidiocese do Rio de Janeiro. É membro do Coletivo de Juventude Negra - Enegrecer. Graduado em História pela PUC-RJ e representou a sociedade civil em encontro com o Papa Francisco no Theatro Municipal, durante a JMJ. 

Tags: a cerca, comentários, DOS, negros, os meninos, sobre, sórdidos

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