Jornal do Brasil

Quinta-feira, 17 de Abril de 2014

Juventude de Fé

Domingo não vou ao Maracanã

Walmyr Jr*

Um samba que embalou carnavais de diversos foliões por todo o Brasil, “Domingo, eu vou ao Maracanã.” de Neguinho da Beija-Flor, que te em sua letra original uma alusão ao flamengo, virou um canto dos demais cariocas, botafoguenses, tricolores e vascainos, assim como torcedores de outros estados vão ao delírio ao cantar essa melodia sagrada.  O grito entoado com muito orgulho pelos torcedores em estádios de todo o Brasil, se adaptando a cada realidade cultural e local, a alegria expressa se assemelha a um fenômeno religioso.

A música traz uma reverencia o torcedor brasileiro, ao povo brasileiro, e cultura do futebol no em nosso país. Essa cultura ligada diretamente ao trabalhador e as classes mais populares,que se matam de trabalhar durante a semana e aos domingos vão ver o seu clube do coração no estádio de futebol.Essa classe social é onde estáos Josés, Franciscos, Marias, Julianas, Pedros, Joãos, etc., tem no futebol uma das poucas oportunidade de lazer e diversão.

A sensação de fazer o ritual dominical, de acordar cedo, prosear sobre a rodada do campeonato no boteco já com a camisa da sorte, abrir uma cerveja, ou refrigerante, brincar com o amigo sobre o jogo passado, comer um frango assado, pegar um trem lotado rumo ao estádio, encontrar o amigo da arquibancada duas estações depois, chegar e comprar uma bandeira do ambulante, e entrar para empurrar e jogar junto com os 11 jogadores do clube de coração, é a felicidade do torcedor.

Durante muito tempo, essa era uma rotina de muitos trabalhadores e operários das comunidades do Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais e de outros estados do Brasil. Porém nos últimos anos, o fantasma da Elitização dos Estádios, vem acabando com essa cultura, grandes investidores. Vem sendo construído nos estádios brasileiros uma verdadeira política de embranquecimento e higienização, centralizado na cultura europeia como padrão de espetáculo. As inúmeras proibições como à venda de bebidas, o uso de instrumentos musicais, fim das gerais e a implantação do mito das cadeiras numeradas, são alguns dos exemplos daquilo que vem sendo chamado de “novas arenas”.

Para Wescrey Pereira, Diretor da Uniaõ Estadual dos Estudantes (UEE-RJ), “o grande aumento do preço do ingresso tem criado um futebol cada vez mais sem povo. O alto custo para assistir um jogo de futebol está selecionando o consumidor desse novo padrão de lazer”.

Para o jovem estudante ficou a seguinte indagação: “O que será dos estádios de futebol sem a irreverência do povo? O que será do povo sem o futebol no domingo? Estão tirando das mãos da população seu patrimônio histórico”.

Hoje o futebol do povo está agonizando, é preciso repensar o que nós brasileiro somos e a importância do futebol assistido de pé sem a cadeira numerada. Pelo caminho que se tem traçado, precisaremos fazer um releitura do samba do Neguinho da Beija-Flor e cantar “Domingo, NÃO vou ao Maracanã.”

* Walmyr Júnior é graduado em História pela PUC-RJ e representou a sociedade civil em encontro com o Papa Francisco no Theatro Municipal, durante a JMJ. 

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