Jornal do Brasil

Sábado, 19 de Abril de 2014

Juventude de Fé

Desespero em um dia de ‘Rio’ de janeiro

Walmyr Júnior*

Em meio a um caótico dia de chuva intensa e constante, com rajadas de vento fortes que causaram estragos em todos os bairros da cidade, encaramos um problema que vai além dos transportes e das ruas alagadas. Na favela, quando a chuva cai, a única alternativa é ficar olhando todos os seus bens materiais se perdendo. 

Um forte problema que encontramos nas comunidades periféricas é a ausência de um projeto de saneamento básico que de fato atenda a população. Vemos dia a pós dia, chuva após chuva, famílias perderem tudo que possui por causa dos alagamentos nas ruas, becos e vielas. Uma luta é travada quase que diariamente pra tentar conter esses problemas causados pelas chuvas. Para conter esse tipo de situação é preciso uma política pública de inclusão do pobre e do favelado no projeto de desenvolvimento da cidade.

Não queremos apenas uma chamada de emergência, ou um toque da sirene, para sairmos das nossas casas correndo para ao menos sobreviver. O projeto de desenvolvimento urbano de uma cidade tem que passar pela segurabilidade social. É ter nos morros e favelas um sistema de segurança urbana  no qual não precisaríamos temer ou ainda sair correndo de nossas casas para que ela não desmorone em cima da nossa cabeça.

 O Estado tem obrigação de dar o aparato para que tal desespero nunca aconteça em nossas famílias. O governo municipal e estadual tem que garantir que essas enchentes não acabem com nossos sonhos. Inúmeras famílias estão perdendo tudo o que tem. Bens materiais que são fruto de uma vida inteira de trabalho se perdendo por que a chuva levou.

Aqui na Maré, as casas ficaram com agua até a cintura! Roupas, armários, fogões, geladeiras, e outros móveis e eletro domésticos estão sendo jogados fora por causa da chuva. Lama, muita lama, ocuparam as ruas e becos das comunidades. O clima é desesperador. Ver o pai de família que tanto trabalha para dar um ‘conforto’ para seus filhos tendo seu sacrifício sendo em vão diante da incapacidade de fazer algo para reverter a situação.

Onde está o projeto urbano para evitar esses desastres ambientais nas favelas? Na zona sul e zona norte o prefeito garantiu até o próximo semestre concluir as obras das piscinas e bolsões para evitar a enchente. E na favela, quando chega?

* Walmyr Júnior é graduado em História pela PUC-RJ e representou a sociedade civil em encontro com o Papa Francisco no Theatro Municipal, durante a JMJ.

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