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Quarta-feira, 25 de Abril de 2018 Fundado em 1891
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Tragédia anunciada na Maré

Jornal do Brasil Walmyr Junior

Em denúncia feita no Jornal do Brasil no dia 20 de agosto colocamos em pauta a colônia de pescadores da Favela Marcílio Dias, no Complexo da Maré. Cerca de 300 pescadores, e mais ou menos 1200 pessoas dependentes de seu trabalho, estão com seu sustento comprometido. Os pescadores estão impossibilitados de trabalhar, pois o cais caiu!! Sim, o cais onde os pesadores desembarcam a pesca do dia desabou.  

Em julho de 2006, a Petrobras e a Secretaria Especial de Aquicultura e Pesa, hoje Ministério da Aquicultura e Pesca, realizaram o Projeto de Recuperação da Cooperativa de Pescadores da Comunidade Marcílio Dias, localizada na Baía da Guanabara, Rio de Janeiro, a partir do consórcio entre as Ongs Onda Verde e Instituto Terra de Preservação Ambiental. 

O projeto, que contou com a mobilização e participação de toda a comunidade, elevou a autoestima dos pescadores e proporcionou uma organização administrava da comunidade pesqueira da Marcílio Dias. 

O problema é que a maquiagem acaba depois da festa. Com um embelezamento da estrutura física do cais, esqueceram que o que sustenta uma colônia de pescadores é a ligação entre a terra e o mar. Após 7 anos, as colunas do cais se romperam. O que vemos na foto abaixo é o retrato de um investimento do dinheiro público em tinta, e não em estrutura. As colunas da década de 1980 estão podres e o cais corre risco de fechar. 

As colunas da década de 1980 estão podres e o cais corre risco de fechar

Isso vem resultando numa falência econômica dos pescadores que não tem onde despejar as 20 toneladas de peixes que, com sua frota de 60 pequenas embarcações, conseguem capturar diariamente na Baía de Guanabara.

Sem poder trabalhar, alguns pescadores já pensam em mudar de área. Conversando com um dos associados, que não quis se identificar, ele disse que “a Baía de Guanabara já é suja, e temos que tá sempre tirando saco da hélice do motor para a gente trabalhar né? a gente entra na água, não tem essa história de que a água é suja. Agora com esse problema tô pensando em voltar pra obra, como pedreiro eu ganho mais”. E acrescentou: “tenho que sustentar minha casa, sem ter como pescar vou ter que conseguir arrumar dinheiro de algum jeito. O tempo não para e nem as constas para pagar”. 

A Superintendência Federal da Pesca e Aquicultura no Rio de Janeiro, quando procurada, alegou que não sabia o que tinha acontecido, e que ia providenciar uma ajuda urgente para os pescadores. Aguardemos para saber até quando esses homens, mulheres e seus filhos vão poder comemorar a tão sonhada reforma no cais sem maquiagem, mas com garantia de direitos. 



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