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Terça-feira, 19 de Junho de 2018 Fundado em 1891
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"I have a dream, cuban doctors"

Jornal do Brasil Walmyr Jr.*

Esta semana celebramos dois fatos marcantes na História. O primeiro marcado com muita alegria e jovialidade. Faz um mês que o Papa Francisco passou pelo Rio de Janeiro e deixou sua mensagem de paz, amor e fraternidade. A população carioca acolheu o Papa Francisco com muito carinho e reconheceu em sua mensagem uma palavra revolucionária! Sim uma palavra cheia de sentidos e significados, com muita caridade e amor ao próximo.

Um outro fato que marcou a história da população mundial, hoje é celebrada, foi a declaração do líder negro Martin Luther King, que foi pronunciada há 50 anos. Sua voz ainda ecoa pelo planeta como um símbolo de liberdade e paz, seu discurso permitiu travar a luta pela igualdade de direitos e o fim da segregação racial nos Estados Unidos, que seria abolida um ano mais tarde, em 1964. No seu discurso pragmático, Mr. King falou de um sonho! Um sonho que ainda não virou realidade.

O Papa Francisco pediu que houvesse um "diálogo construtivo" para enfrentar as dificuldades do presente em seu discurso no mês passado no Teatro  Municipal. "Entre a indiferença egoísta e o protesto violento, há uma opção sempre possível: o diálogo. O diálogo entre as gerações, o diálogo com o povo, a capacidade de dar e receber, permanecendo abertos à verdade" Disse o Sto Padre.

Mas o que aconteceu no Ceará nesses dias foi o avesso do que o Pontífice recomendou para um caminho seguro de paz. Um caso gritante de segregação, racismo e xenofobia, onde uma classe de médicos brasileiros fizeram um papelão… O médico cubano Juan Delgado, que foi vaiado e chamado de “escravo” disse em uma entrevista a Folha de São Paulo, que está disposto a ser “escravo da saúde e dos pacientes doentes, pelo tempo que for necessário”. Disse ainda que “Eles [médicos brasileiros] deveriam fazer o mesmo que nós, ir aos lugares mais pobres prestar assistência”

Já que os brasileiros não vão aos lugares mais pobres, ao menos percebam que esse tipo de atitude fere a dignidade do outro. O papa disse há um mês atrás que "é impossível imaginar um futuro para a sociedade sem uma vigorosa contribuição das energias morais numa democracia que evite o risco de ficar fechada na pura lógica da representação dos interesses constituídos". Esses “médicos” não ouviram  Francisco ...

O Papa destacou que "a única maneira para uma pessoa, uma família, uma sociedade crescer, a única maneira para fazer avançar a vida dos povos é a cultura do encontro, onde todos têm algo de bom para dar, e todos podem receber em troca algo de bom."

As palavras do Papa também são pelo fim da segregação racial e da xenofobia. Eu ouvi Francisco.

Sejam bem vindos médicos cubanos, se depender de nós, o sonho de  Martin Luther King vai ter vez e lugar. 

* Walmyr Júnior é graduado em História pela PUC-RJ e representou a sociedade civil em encontro com o Papa Francisco no Theatro Municipal, durante a JMJ



Tags: classe, contribuição, médicos, racismo, vigorosa

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